sexta-feira, 17 de novembro de 2017

AINDA SOBRE AS NORMAS GALPONEIRAS

( mail recebido)
Considerações simples, mas que acabam por fazer com que a atividade funcione harmoniosamente.

Lembro dos anos 80, na fazendola do vô, na Vila Santa Rosa, Santo Antônio das Missões, do feno e cana-de-açúcar para
suplementar o gado no inverno, o roçado da mandioca, da produção das tachadas, o chiqueiro, o envio do pedaço de carne
ao vizinho quando do abate da rês, tempos que a "moeda sonante" não fazia o alarido de hoje.

As famílias maiores, por certo que fizeram com que a "cincha" fosse sempre bem apertada...

Noto que ao passar dos anos, ademais de o crédito rural ter chegado aos pequenos produtores, ao mesmo tempo,
pelo menos na região da pecuária, houve um superendividamento incompatível com o tamanho das propriedades.
Vemos, não raramente, o "mata-mata", um empréstimo para encobrir outro, o número de pessoas que continua
produzindo decaiu, e os que continuam, estão sempre com um pé na cidade, na "ilusão povoeira" das compras em
parcelas...

Enquanto isso, as tambeiras para o leite dos guaxos, os roçados, cada vez mais escassos. O capim Anonni, o espinilho,
"Maria Mol" e caraguatás, cada vez mais dando o ar de sua graça..

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Rafael Saratt Pereverzieff

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

NORMAS GALPONEIRAS

Recebi esse saboroso material de um querido amigo e leitor:

Sendo um "colhedor" de causos, adágios, história...

Interessado sempre em suas considerações sobre a administração, seja rural ou da nossa existência...

Compartilho com V. Sa. uma crônica de Blau Souza.

Um abraço do leitor,


Rafael Saratt Pereverzieff

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Regras para o Galpão e para a Vida
Blau Souza

Faz bem a solidariedade dos amigos quando sofremos duras perdas. A morte do meu irmão Jacques propiciou muitas manifestações, como a do Fernando Adauto no SulRural, em que o carinho e as recordações comoveram a mim e a todos que o conheceram. Lá está dito que Jacques vivia a Qualidade Total, e assim o era.
Assumindo a Estância do Sobrado aos dezessete anos, dobrou a sua área e com campos lotados. Tinha um raciocínio simples: sua moeda corrente era o gado. Para aumentar o rebanho, arrendava campos e quando da devolução das áreas arrendadas, vendia o gado que havia nelas e comprava campos vizinhos aos do Sobrado. O sucesso foi conseguido com muito trabalho e disciplina.
Divulgo, para proveito de outros, como ele gostaria, suas instruções aos empregados, colocadas e 20 itens pendurados na sala da estufa no galpão da estância. Foram feitas pequenas adaptações na forma, para facilitar o entendimento.
“Estância do Sobrado. Medidas a serem tomadas para o melhor andamento dos serviços:
1. Assumir com responsabilidade e boa vontade suas obrigações, sempre pronto a ajudar os colegas de trabalho.
2. Terminar com conversas, fofocas, etc., que só dividem e nada somam. Elas só desgastam a pessoa que as faz.
3. Quando estiver descontente com alguma coisa, procurar falar comigo em particular. Tenho o maior interesse e boa vontade com todos.
4. Por ocasião de temporal, independente de função, tomar as devidas providências, fechando janelas, portões, moinho, etc.
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“É impossível haver progresso
sem mudança, e quem não
consegue mudar a si mesmo
não muda coisa alguma.”
George Bernard Shaw
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5. Ter criatividade e bom-senso. Exemplo: recolher pedaços de arame, sacos
plásticos, arrancar espinhos e outras pragas.
6. Quando estragar alguma coisa, ou machucar um animal, comunicar a
administração. Jamais querer transferir para os outros, mas assumir as
faltas.
7. Procurar não pegar, sem necessidade maior, arreios, xergões, pelegos,
cordas e outras coisas dos patrões.
8. Cuidar do arreamento, poncho e demais utensílios, bem como desencilhar
em lugar apropriado e deixando tudo em ordem.
9. Procurar trazer sua cama arrumada, bem como as demais coisas dos
quartos, que devem permanecer limpos.
10. Reparar sempre se não ficou torneira mal fechada, ou a descarga do vaso
escapando, principalmente quando houver mais gente nas casas.
11. Procurar trazer os utilitários de galpão sempre limpos, nos devidos lugares
e dando a manutenção necessária a alguns implementos.
12. Não trazer cachorro para o estabelecimento sem o meu consentimento.
13. Sempre que chegar alguém, ver que é e dar o atendimento necessário,
comunicando após a administração.
14. Procurar, dentro do possível, estar por dentro das contas de bovinos e
ovinos de cada invernada.
15. Por ocasião de banho de gado, vacinação ou outros serviços nas
mangueiras, ajudar a verificar se as porteiras estão fechadas, se o corredor
está aberto e, após, se foi fechado e se foi medida a carga do banheiro.
16. Sempre que abrir porteiras, não esquecer de colocar o pino de segurança
ao fechá-las.
17. Procurar não maltratar os animais e, nas mangueiras, evitar gritaria e
cachorro. Tenho certeza que assim fazendo o gado vai ficando cada vez
mais dócil.
18. Fazer todo o empenho para terminar com rixas entre funcionários. Elas só
criam problemas para a administração.
19. Sejamos bem-educados, não cuspindo no chão, não jogando toco de
cigarro em qualquer lugar e, sempre que possível, juntando outras sujeiras.
20. Sempre: sejamos amigos. Existindo a amizade, existirá a lealdade.
Agradecido. (a) Jacques. N.B. Bebidas alcoólicas, somente se oferecidas

pelos patrões.”

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

DR. HERMES DUTRA COMENTA MINHA POST ANTERIOR

Prezado Ruy e confrades !

Fiz setenta anos no mês passado. Nascido na minha longinqua Cacequi, onde vivi aos até os dezoito anos.

Ao que me lembro,meu primeiro trabalho voi vender pastel na estação ferroviária, na hora da passagens dos trens. Deveria ter uns 9 ou dez anos. Meu pai, trabalhador de salario mínimo e minha mae, com 11 filhos, precisavam de ajuda. E assim comecei. Aos treze na padaria aprendi a fazer pão, que distribuia pela cidade. Aos 14 fui trabalhar com carteira assinada no engenho Ipiranga, onde fiquei até perto dos dezoito anos. Apesar da pobreza, tive uma infancia feliz, trabalhosa mas feliz.

Meu pai sempre me dizia para estudar. E segui seu conselho. encontrei bons professores no antigo ginásio que me incentivaram e me mostraram o caminho da leitura e do estudo. Consegui fazer faculdade e aqui estou hoje com tres filhos crescidos, bem encaminhados e seis amados netos. Porque estou dizendo isso ? Não é para louvação a mim mesmo (isso até me faria mal), mas é que estou cansando desse papo de vitimas da sociedade, o Governo tem que fazer isso, é obrigação do estado e por aí vai.

Tens toda razão. Por mais que queiramos que as coisas funcionem, elas só vão funcionar se todos participarem. Esperar que o pai Estado resolva tudo, além de ser uma esperança inócua, as coisas não andarão. Nós, bem ou mal, temos excelentes universidades federais, que não custam barato para o pais. Eu pergunto: Esse dinheiro não seria melhor aplicado se fosse no ensino básico, dando  então condições para que os pobres tenham uma formação decente ? Mas vai falar isso e já te caem de pau. Então continuamos com a hipocrisia: Universidade gratuita, que em geral é frequentada pelos mais aquinhoados, pois são os que passam no vestibular e o ensino básico que se lixe. Deveríamos ter escola básica obrigatória de turno integral e gratuita.

Mes passado fui visitar meu filho que faz um pos doutorado na Universidade de Louisville, no Kentuchi, nos Estados Unidos. Seus filhos estão matriculados numa escola publica, gratuíta, turno integral. Mas essa gratuidade tem preço. Tem temas aos montes para fazer em casa, além de uma disciplina rígida. Todas as segundas feira pela manhã antes da aula eles se reunem e fazem juramento à bandeira americada. Repito:Todas as segundas feira.Meu neto mais velho falou demais na aula e na segunda semana foi probido de fazer uma atividade num horario livre. Ficou sentado na sala de aula esperando os colegas voltarem.

Imagina de isso fosse aqui.

O Rogowski falou um tema interessante sobre nossa constituição. Ela tem muito a ver com tudo isso que aí está. Saímos de um governo duro para um salve-se quem puder. Hoje em dia, respeito, educação, polidez etc... são coisas que não se sabe mais. Ou se sabem não praticam. O trânsito é um bom exemplo disso. A poluição dos pequenos riachos então nem se fala. No meu condominio em  Xangri-lá tem um arroio que passa ao lado que está sempre com um monte de sacos de lixo. E quem coloca esse lixo ? São os patrões exploradores ? As grandes empresas que só visam o lucro ?

É meu amigo, os tempos andam muito duros. De vez em quando leio que a década tal foi a década disso ou daquilo. Acho que as nossas ultimas duas (ou três) décadas foram as décadas da hipocrisia. E isso que nem cheguei a falar na mãe que leva uma criança para passar a mão num marmanjo pelado e diz que isso é arte.

Abraço a todos

Hermes Dutra


TUDO SÃO OS OUTROS QUE TEM QUE FAZER

Não me levem a mal se estou errado.
O adolescente , de familia pobre ou remediada, ou rica, quase sempre quer que a mãe o leve para fazer a matrícula na escola.Ou que ela sozinha o faça. Para ir jogar futebol ou ficar de boné e capuz nos shoppings, sem comprar nada, isso ele faz sozinho.
A lixeira da rua está repleta. Veio um catador e esculhambou tudo em busca de algo que lhe serve. A lixeira cercada de detritos. Nenhum morador circunjacente se propõe a esperar o próximo catador e lhe pedir com bons modos que não mais o faça, muito menos colocar luvas e fazer o lixo retornar ao coletor. O Estado que o faça.
O vento levantou umas telhas da escola, chove para entro. Raros os pais que se oferecem para consertar às suas expensas.  Deu uma zebra, enchente,todos recolhidos ao pavilhão de uma entidade. Todo mundo deitado nos colchões e muitos reclamando da maciez. E repito,  sesteando ao invés de darem uma boa faxinada no local. Balanço da praça estragou. Fica um ano assim até que o Estado venha arrumar.
Dá uma dorzinha de cabeça, fruto de um porre, lá vai o cara, com a mulher, mais os filhos e ainda o cachorro, tomar o lugar dos outros, com problemas sérios, ao Posto de Saúde.
Caiu uma árvore sobre o muro, espera duas semanas  mas não move uma palha para arrumar uma motosserra e resolver o problema.
A guria passa de balada, tira más notas por não estudar: culpa dos professores.
O cara vende  seu voto e depois fica choramingando.
No trabalho é " matador" de serviço e fica brabo quando é despedido. E depois quer mil direitos , aos quais nunca fez jus, mas usa de  artifício intimidativo.
Não acredito em reforma alguma de cima para baixo, salvo  partes da trabalhista - aquelas que flexibilizam e não oprimem tanto o empresário.
O resto é fruto de indole preguiçosa, incentivada pelo coitadismo.
Falo isso porque trabalho desde 14 anos, me esforçava e nunca me achava explorado. Quando surgia coisa melhor, agradecia e pedia o boné. E assim fez a maoria dos amigos que conheci.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

MAIL DO DR. ROGOWSKI


Ruy e demais amigos!

Creio que há uma sincronicidade entre as pessoas que são amigas, que se admiram e se respeitam, que se querem bem, porque essa semana estive meditando muito, precisamente sobre essa questão da vida natural e geralmente faço as minhas reflexões sob as lentes da teologia, pois, sou daqueles que precisam de uma bússola para não perder o rumo no oceano das ideias.

Uma das hipóteses em que mirei sobre a queda do homem e sua expulsão do paraíso por ter comido da arvore do conhecimento, foi a de que o Criador sabia que o conhecimento tecnológico poderia nos destruir futuramente.

Talvez Deus quisesse outra linha evolutiva para nós, centrada mais no ser do que no ter, uma vida simples e em harmonia com a natureza, distanciados dos grandes aparatos tecnológicos que criaram dependência e escravização como ocorre atualmente, em que estamos literalmente viciados em internet e toda essa parafernália hoje existente.

Basta ver que povos antigos em várias partes do mundo evoluíram bastante enquanto sociedade sem dependerem da eletrônica, povos que depois desapareceram, talvez, por terem completado o seu processo evolutivo espiritual.

Enfim, são meras reflexões, nesse campo não há certezas certas.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

QUASE NÃO HÁ MAIS ESCURIDÃO NO MUNDO

Olhem só essa imagem do espaço. É noite, mas não escura.
Não sei porque, mas me invoco com as noites iluminadas. Acho que a mãe Natureza também não gosta.
Recentemente fiz um périplo por uma região agrícola da Alemanha
. Hospedei-me num belo Hotel, no alto de uma elevação. À noite, da sacada do meu apartamento, via um mar de luzinhas. A cada tanto uma vila, um povoado, uma cidade. Fiquei um pouco melancólico.
Isso me reporta à nossa Fazenda, em Unistalda - RS, em que há muitos capões de árvores nativas e onde, realmente, as noites são imunes à luz artificial. Recordo, agora, um episódio muito gostoso
.
Recém tínhamos adquirido uma área, contígua à nossa, do Sérgio Brum Pinto. A chamada Fazenda da Capela.
Por ela flui uma caudalosa e límpida sanga, com suas matas ciliares de  frondosas árvores nativas.
Pois num dia 31 de dezembro, uns quinze anos atrás, peguei um trator, atrelei num reboque e montei acampamento à beira do mato e da sanga. Coloquei uma lona por cima do reboque e uns colchões e estava feito nosso quarto de dormir. Maristela e o Rudolf foram de caminhonete.
Fiz fogo ao relento e sobre uma improvisada trempe assamos linguiça campeira . Tudo acompanhado com pão feito em casa.
Maristela e eu contemplando as estrelas , sem rádio, nem TV nem celular.
Fomos deitar 10 da noite sob a vigilância das corujas.
Durante a noite ouvimos roncos de bugios e o farfalhar das folhas com a ação da  tépida brisa.
Quando começou a clarear os jacus iniciaram sua festa junto com mil pássaros.
Entramos para dentro da sanga para o banho matinal natural.
Relutei muito para voltar à sede da estância, onde a internet já havia fincado o pé.....
 

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

AOS MEUS QUERIDOS LEITORES, ÀS MINHAS QUERIDAS LEITORAS

Claro que vocês notaram a rarefação de minhas postagens. Depois que completei um milhão de acessos, senti uma sensação de como tivesse chegado ao pico do Everest e minha missão estivesse cumprida.
Brincadeiras à parte, a verdade é que estamos num estágio, em nosso país, de estupefação. Todo mundo tem pressa, todo mundo é sábio sem sequer dominar sua língua materna, escrever para que e para quem? Por sinal isso é uma praga mundial.
A maioria das pessoas estão preocupadas em postar no seu face  o que comeram ao meio dia e de que cor devem ser as calcinhas no Ano Novo.
Eu ando muito apaixonado pelos meus leitores semanais da Gazeta do Sul, um jornal diário, de grande tiragem e que está na internet,  de Santa Cruz. Procuro burilar meus textos, dou-me o tempo.
E acho mais prático mandar meus artigos, publicados na Gazeta e no blog, por watts app, e pelo moribundo e mail, a meus conhecidos e amigos.
Então está combinado: vou escrever menos vezes, mas os textos serão mais sopesados, pensados e repensados.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

PRONUNCIAMENTO INCISIVO DE NELSON WEDEKIN - RECOMENDO A LEITURA


A morte de Luiz Carlos Cancellier de Olivo foi um acontecimento trágico, infausto, mas não só.

Se houvesse uma só autoridade do Estado a refletir por breves momentos naquela situação, uma só autoridade com o olhar na lei, na proporção que precisa haver entre o seu ato e as suas consequências, Cancellier estaria entre nós, feliz e realizado como estava em vida, dedicando o melhor do seu talento e inteligência, de sua capacidade de trabalho, de sua vocação para o diálogo e o entendimento, prestando serviços em favor da Universidade e do País. A tragédia teria sido evitada.

Tudo está claro hoje. Os fatos que estavam sendo investigados não eram nenhum escândalo. Não havia flagrante. Não havia malas de dinheiro. Não havia licitações fraudadas nem obras superfaturadas. Não tinha nota fiscal fria nem dinheiro de caixa dois. Não estava em investigação financiamentos do BNDES a juros negativos, nem prejuízos biliardários de fundos de pensão.

Tudo parece bem mais próximo - e mesmo isso ainda está para ser demonstrado - de um conjunto de irregularidades, precariedade de controles, prejuízos possíveis que, calculados na ponta do lápis, talvez tenham alcançado a cifra de R$ 350 ou 450 mil reais. Isto em um programa que movimentou R$ 80 milhões de reais desde o seu início em 2006.

O detalhe de que os eventos investigados eram anteriores à posse de Cancellier não pareceu relevante às autoridades da operação "Ouvidos Moucos".

Também de nada valeu que Cancellier não tivesse antecedentes criminais. Era um homem de ficha limpa. Nos 59 anos que viveu ele foi preso uma única vez, no raiar daquele dia de setembro de 2017. Dormiu uma única noite na cadeia. E dali saiu para morrer 18 dias depois, consumido na voragem daquela terrível sucessão de acontecimentos.

Cancellier foi preso e os policiais que o acordaram de madrugada não souberam explicar as razões da prisão. Tentou rever na memória o que poderia ser, enquanto era conduzido de camburão ao prédio da PF, mas não passou nem perto.

Os policiais, o MPF, a juíza poderia ter tomado uma providência simples: mandar verificar onde morava o reitor. E veriam, então, que ele morava num apartamento modesto, de três quartos, num prédio modesto de quatro andares. Saberiam que ele não tem carro. E poderiam ter feito o raciocínio elementar: esse homem não tem o perfil de delinquente.

Também poderiam ter grampeado os seus telefones. Talvez o tenham feito. Como sabe esta casa, no Brasil de hoje é incalculável o número de telefones grampeados. Seriam 250 mil, 400 mil. Ninguém sabe. Mas se gravaram não tinha nada que comprometesse o reitor. Senão teriam divulgado, da mesma maneira que foi irresponsavelmente divulgada a cifra de R$ 80 milhões de reais como o valor de desvio, quando este é o valor total de todo o programa investigado desde 2006.

Aquelas autoridades, por dever de ofício, deveriam medir a extensão, a gravidade dos fatos investigados, face ao gigantismo da operação que montaram, a Ouvidos Moucos. Foram mobilizados, só da PF, 105 agentes policiais, muitos deles vindos de outros estados da Federação. Vieram agentes do longínquo estado do Maranhão, e sabe-se lá mais de onde. Não é demasiado afirmar que a operação custou mais aos combalidos cofres públicos brasileiros do que o prejuízo investigado.

Aquelas autoridades, imprudentes, desmesuradas, ao que parece não cogitaram de abrir uma investigação normal, regular, compatível com a dimensão do episódio. Isto é, abrir o procedimento, ouvir o reitor, os outros seis presos, os demais envolvidos. E no correr do processo verificar se havia dolo e culpa, e quem eram os responsáveis, se de forma total ou em parte, e quem possivelmente não tinha nenhuma culpa.

Se seguissem a alternativa comum, teriam obtido os mesmos (e até melhores) resultados com o uso comedido, discreto de 5 ou 6 agentes da PF. Não teriam gasto uma pequena fortuna em passagens, diárias, refeições, não teriam de importar reforços de outros estados. Ninguém parou para pensar. Seguiram apenas os próprios impulsos voluntariosos. Agiram sob a influência de um corregedor buliçoso, ansioso de protagonismo, tomado de excesso de zelo.

Não havia entre os investigados nenhum condenado, indiciado. Todos eram ficha limpa. Nenhum deles poderia ser chamado de "elemento", nenhum deles reagiu, nenhum deles era perigoso. Todos trabalhavam na Universidade. Todos tinham endereço certo e conhecido. Antes de levá-los às barras do tribunal, o que seria até razoável, levaram-nos às barras da penitenciária.

No Brasil são assassinados 60 mil concidadãos por ano. Em apenas 8% deles se conhece a autoria. Então, devem existir nas ruas das cidades brasileiras, e nos grotões do País, milhares de assassinos à solta. Nenhuma autoridade teve a ideia de fazer uma operação que reunisse, digamos, 100 policiais para encontrá-los, botar atrás das grades, quem sabe uma, duas centenas deles. E se não tanto, ao menos sete, para se equiparar à operação Ouvidos Moucos.

O programa de financiamento estudantil, o FIES, já acumula mais de 55% de inadimplência. Fraudes históricas no auxílio-doença, no seguro desemprego, no seguro-defeso vêm sendo praticadas há anos, como denunciam sistematicamente, os organismos de controle. São milhões, bilhões de prejuízos causados aos cofres públicos. Vez por outra, em longos intervalos, se monta uma operação especial para barrar a pilhagem, conter os abusos, punir os responsáveis. Nenhuma dessas mini-operações chegou perto do aparato da Ouvidos Moucos. Ao que saiba, ninguém foi preso, ou está preso.

Mas lá no meu estado de S. Catarina montaram uma operação estrepitosa para elucidar o possível desvio de alguns milhares de reais, cuja única consequência visível foi a de atirar na lama a reputação de um homem de bem, homem do diálogo e da conciliação, fazendo-o sucumbir na ignomínia.

Era um caso vulgar, ainda restrito ao âmbito administrativo. Um caso em que talvez, quem sabe, possivelmente, em hipótese, poderia ter causado algum prejuízo ao dinheiro público. Um caso de "obstrução à Justiça", embora a matéria ainda estivesse em instância administrativa.

Terá sido a primeira vez em que uma suposta interferência no âmbito administrativo, se transformou, do nada, em delito, em crime. E terá sido também a primeira vez que, por tão pouco, se põe na cadeia um homem comum, e mais ainda um professor, mestre, doutor e reitor de uma Universidade.

As autoridades responsáveis pela sequência trágica de erros ouviram, à rigor, duas pessoas para montar a expedição punitiva, o corregedor da Universidade e uma única professora. O reitor havia avocado para si o processo, ato corriqueiro, chancelado pela Procuradoria, que é da União, e não da Universidade. O ato legal, comum de avocação, e o depoimento de uma professora foram as sofríveis, duvidosas, discutíveis evidências de um crime menor, mas que desbordou para um decreto de prisão temporária.

Ao que se sabe, não cogitaram de um procedimento comum, da hipótese elementar de ouvir antes as explicações do reitor e dos demais. Fizeram uma ligação direta com a operação cinematográfica, com pompa e circunstância, atirando-os às feras da opinião pública, das milícias raivosas das redes sociais, dos justiceiros de plantão.

Expuseram-no à cobertura acrítica da imprensa, que deixou passar barato e acatou quase pressurosa, sem contestar, a versão pífia das autoridades. Os meios de comunicação, ou partes deles, que com justa razão se batem pelo princípio da liberdade de imprensa, neste caso como em tantos outros, acabaram por usá-la como porta-voz de autoridades do Estado.

Ao invés de produzir provas, produziram, uma operação de nome pomposo e manchetes sensacionalistas na mídia. Ao invés de fazer justiça, causaram dano irreparável a um homem, levando-o ao desespero, à pior das vergonhas, que é a vergonha pelo que não fez.

O combate à corrupção não é, decididamente, um projeto de salvação nacional. Que a corrupção é uma chaga moral que precisa ser combatida, reduzida e se possível banida, todos os cidadãos de bem devem estar de acordo. Mas ela não pode presidir as preocupações nacionais, como se fosse o único problema do país, acima de todos os demais.

Em tal contexto, tecnoburocratas endurecem as medidas de controle; ouvidores e corregedores e técnicos dos órgãos de controle vasculham repartições de Estado em busca de malfeitos, ameaçando com as normas e regulamentos que só eles conhecem e interpretam a seu gosto, causando pânico em chefes e subordinados.

Agentes policiais e procuradores do MPF, tomados de espírito messiânico, movidos pela ânsia protagonista, preferem operações midiáticas, ao invés da busca metódica e paciente de provas, ao invés dos procedimentos discretos de um processo normal. Processo normal é aquele que, se for o caso, não começa pela prisão dos supostos culpados mas termina com a prisão dos culpados verdadeiros e definitivos.

Magistrados, pressionados por policiais afoitos e procuradores apressados, ansiosos por mostrar serviço, e eles mesmos influenciados pelo clima punitivo geral, admitem de plano, sem maior exame, grampos telefônicos, quebra de sigilos bancário e fiscal, prisões temporárias e outras medidas extremas que devem ser tomadas só em caso justificável, com razão muito pertinente, em um Estado Democrático de Direito.

As manifestações públicas de entidades de delegados, procuradores do MP e juízes são altamente reveladoras e preocupantes: todas elas apoiaram a operação Ouvidos Moucos. Nenhuma delas viu erro, excesso ou abuso. Se perguntarem se já estamos em um estado policial, e se fosse para responder com a régua rigorosa dessas autoridades de linha dura, de sanha punitiva, e que em tudo enxergam um malfeito, um roubo, então deveria responder que sim: já estamos num estado policial. O que não permite tal resposta de pronto, é a esperança de que existam, em igual número e talvez até em maioria, delegados, procuradores do MP e juízes que trabalham com discrição e comedimento, fazem bom uso de suas prerrogativas e cumprem com exação e equilíbrio as suas funções. Eu mesmo, devo dizer, conheço vários deles.

O fato é que o clima, o estado de espírito que domina amplos setores dessas corporações predispõe ao abuso, ao exagero, à demasia, à exorbitância. E se estamos vivendo uma escalada é porque tais abusos, tais extrapolações, quando acontecem, fica tudo por isso mesmo. A impunidade, pelo erro, pelo abuso de autoridades, é a impunidade dos novos tempos. Pois no Brasil - e isso é bom e positivo, - não se pode mais falar de impunidade dos ricos e poderosos, tão numerosos são os que foram presos, os que estão presos e os que estão para ser.

A sanha punitiva de agentes do Estado, o atropelo de normas elementares da investigação, o conteúdo draconiano das regulações e das exigências de controle, para além de produzir eventos desastrosos como o de Florianópolis e da UFSC, de outro modo, consomem as melhores energias da atividade do Estado.

E tanto mais obsessivamente se criam normas labirínticas e complexas, maior é a necessidade de controles, novos e sofisticados controles. De tal sorte - e isso é antigo e é clássico, mas nunca chegou ao ponto em que está - as atividades-meio consomem cada vez mais recursos humanos e financeiros, distanciando o ente estatal da consecução dos seus fins e objetivos. Os meios vão se imiscuindo nos fins, se confundido com eles, paralisando tudo. Eis aí uma equação essencial da indesmentível ineficiência do estado brasileiro.

Os tentáculos do Estado, de muito tempo, alcançam a sociedade civil, as empresas privadas, compondo o opressivo custo Brasil, embaraçando e asfixiando a produção dos bens e da riqueza, desestimulando as atividades econômicas. Agora, autofágicos, implacáveis e irrefreáveis, se espalham perigosamente nos entes estatais.

Esse clima punitivo, opressor, repressor, policialesco é o germe do totalitarismo.

O professor Cancellier foi um exemplo de vida, dedicada ao bem, à justiça, à liberdade e à paz entre os homens. A morte autoinfligida foi um gesto desesperado de inocência, um ato político de coragem, um grito de alerta contra a força bruta e a injustiça.

O mínimo que podemos fazer é tirar, dos episódios trágicos de Florianópolis, os ensinamentos certos. O Senado, o Congresso Nacional é um lugar ideal para refletir sobre os fatos, alinhar iniciativas de reação e resistência, levantar a voz de defesa do Estado Democrático de Direito e das liberdades civis ameaçadas. Que o exemplo de vida de Cancellier, alma cidadã e sal da terra, nos dê força e coragem. Façamos agora enquanto é tempo.

 

Nelson Wedekin/BSB/31/10/2017


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

REVENDO COLEGAS DE INTERNATO



Ainda estou me recuperando de tanta emoção. Ontem fui à minha terra natal, Santa Cruz, para um encontro de ex alunos do Colégio Santo Inácio. Esse colégio situava-se no Kappesberg, atual Salvador do Sul e recebia candidatos ao sacerdócio em regime de internato. Eu fui para lá com 13 anos. Só recebia visita de meus pais dia 31 de julho, dia de Santo Inácio e podia ir para casa em  janeiro e fevereiro. O Colégio era de altíssima excelência, bem administrado pelos Jesuítas, com sua conhecida disciplina.  Lá permaneci por dois anos, mas quero dizer que esse período influenciou toda a minha vida e, por isso, sou eternamente agradecido.
A confraternização ocorreu no pavilhão da Igreja Três Mártires.
Gerações e gerações de ex alunos compareceram. Fazia tempo que não comparecia a um evento tão cheio de pureza, amizade, recordações, tanto de idosos, como de homens mais jovens.
Pude rever colegas alguns dos quais não via há mais de 50 anos e conheci muitos jovens que foram inacianos e que permanecem com aquela centelha que fez a diferença em nossas vidas..
Parabéns a todos da comissão organizadora.
Nas fotos o Colégio Santo Inácio e na inferior  eu e um colega, Alceu Lau, que não via desde 1959.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

RECORDANDO MEUS TOMBOS DE A CAVALO I

   

Em minha carreira de " baiano" até que caí pouco dos cavalos. Foram quatro vezes. O único problema que a costela quebrada leva um tempão doendo. É igual a mordida de traíra no dedo da mão.
Eu sempre fui metido, porém não cheguei às raias da imprudência. Mas só depois fui me dar conta que a maioria dos campeiros e  peões têm uma linguagem cifrada que não pode ser levada ao pé da letra.
Por exemplo:  quando a chuva já é boa, mas falta mais, eles dizem que está garoando; quando um cavalo é manso para eles, para um urbano é um fogoso  corcel botando fogo pelas ventas.
Meu primeiro tombo foi assim: eu saí numa manhã de geada para ver uns terneiros do cedo que estavam nascendo. O capataz não estava e fui com um peão. Vimos uma vaca deitada, com o útero de fora e o terneirinho em redor da mãe. O peão me pediu que trocássemos de montaria porque a égua dele não ia deixar ele levar o terneirinho . Apeei, trocamos e alcancei a ele o terneiro de seus 35 kgs. recém nascido. Feito isso " amuntei" naquela desgranida. Não consegui me enforquilhar e nem colocar o pé no estribo do lado do laço e a filha da mãe saiu velhaqueando e disparando campofora. Eu tinha medo de sofrenar  aquela imundície de égua com medo que ela empinasse e caísse em cima de mim.  E a louca galopeando campofora. Até que consegui a conduzir para um cerro de pedras e pensei: " maldita, agora tu vai ralar as patinhas  ou te quebrar". Realmente ela sentiu a dor do pedregal e deu uma vacilada. Foi quando me atirei de cima dela.
A louca só foi parar uns dez kms depois. E eu estirado quase sem poder respirar, todo lastimado. Pedi para o peão ir até a sede da fazenda e para ele avisar Maristela vir de caminhonete juntar meus cacos .
Dei a bandida da égua num brique por outro cavalo sob os protestos da peonada que achava ela mansa.Prometi para minha família não cavalgar mais. Mas promessas são feitas para serem descumpridas, andar a cavalo dá um prazer quase genésico.
Depois conto os outros.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

VIVER COM MAIS QUALIDADE. ( JÁ ESTOU NESSA HÁ TEMPO)


O caminho de volta...  

 (Teta Barbosa - jornalista, publicitária e mora no Recife)

 

"Já estou voltando. Só tenho 45 anos e já estou fazendo o caminho de volta. Até o ano passado eu ainda estava indo... Indo morar no apartamento mais alto, do prédio mais alto, do bairro mais nobre.  Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras.  Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!  Mas, com quase cinquenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo?  No que ninguém conseguiu responder. Eu imaginei que quando chegasse lá, ia ter uma placa com a palavra "fim".  Antes dela, avistei a placa de "retorno" e, nela mesmo, dei meia volta.  Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo).  É longe que só a gota serena! Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe. Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo.  E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm pra cá todo fim de semana?  E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou). Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo), abre um livro e, pasmem, lê.  E no que alguém diz: "a internet voltou!", já é tarde demais, porque o livro já está melhor que o Facebook, o Instagram e o Snapchat juntos. Aqui se chama "aldeia" e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama.  No São João, assamos milho na fogueira. Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar... Aí eu me lembro da placa "retorno", e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: "retorno – última chance de você salvar sua vida!"  Você, provavelmente, ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: "Compre um e leve dois".  Nós, da banda de cá, esperamos sua visita.  Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta..."

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SOBRE ALGUNS BOÇAIS E BURROS QUE POVOAM AS REDES SOCIAIS - artigo de tito guarniere


TITO GUARNIERE

INTERNET É BOM MAS É RUIM

Que a internet é o fenômeno essencial do nosso tempo, ninguém discute. Mas nem tudo reluz nos blogs, sites, redes sociais. A internet é um espaço privilegiado, de fácil e pronto acesso a informações preciosas e necessárias, opiniões abalizadas e de textos lúcidos que facilitam e melhoram a nossa vida. Mas ao mesmo tempo é espaço das "fake-news", dos militantes de causas exóticas, de cretinos operosos, das teorias conspiratórias mais improváveis, e onde hordas de ignorantes deitam e rolam com suas diatribes, bobagens e xingamentos.

A internet é um refúgio de pessoas (nem todas, graças a Deus!) que se julgam injustiçadas, preteridas, enganadas, de pessoas complexadas ou que simplesmente não têm nada para fazer. A rede é o território onde elas reinam e governam, quase sozinhas, e no qual o teclado cumpre todas suas vontades e ordens, e onde elas podem distribuir palpites no que entendem, e mais ainda no que não entendem.

Em cima, está exposto o artigo do jornalista, do comentarista, do autor especializado, em geral respeitando o vernáculo, a gramática, os acentos gráficos, com (alguma) base e fundamento, ainda que não se concorde com ele. Cá embaixo, em número assustador, no espaço do leitor, os comentários vulgares, os clichês surrados, as rotulagens fáceis, a desqualificação do autor. Dá para notar que o texto comentado não foi lido inteiro, ou se lido, não foi entendido. O internauta típico, um sujeito comumente de maus bofes, critica até autores e textos com os quais ele está de acordo.

Atenção, aqueles que queiram se aventurar a escrever na internet: evite a ironia. A massa dos internautas não sabe o que é ironia e toma o texto ao pé da letra. Quando usarem, anotem explicitamente que é ironia, mesmo sabendo que, então, não será mais ironia.

É rara uma observação pertinente sobre o texto, os argumentos do autor. Os comentários variam de simples a simplórios, descosturados, descontextualizados, aleatórios, às vezes. Quando respondem a um texto, são respostas simples e erradas. Querem ter direito à opinião e também aos fatos. Nas suas argumentações ignoram e distorcem as mais solares evidências.

É o tempo sombrio das "narrativas". Não importa o que está rolando, será sempre preciso enquadrar o fato na narrativa. A narrativa não é mais construída pelos fatos, suas causas e efeitos: os fatos é que devem ser construídos segundo a narrativa pré-existente.

O filósofo e matemático inglês Bertrand Russel já dizia na década de 50 que "o problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as idiotas estão cheias de certeza". O número de idiotas é hoje muito maior e eles ainda podem ecoar as suas mensagens no mundo, através da internet. Pessoas que mal leram um livro, um artigo de fundo, um rodapé, deitam falação sobre temas que exigem um semestre inteiro de estudo.

Cuidado com as redes sociais: elas afetam a nossa sanidade. Winston Churchill, que sabia das coisas, disse uma vez que "o melhor argumento contra a democracia é a conversa de cinco minutos com um eleitor comum". Atenção: isto é uma ironia do primeiro-ministro britânico na II Guerra.

NO CAOS O DIREITO TEM POUCO A FAZER


Escrevo para uma maioria que é leiga nas filigranas jurídicas. Por isso procurarei ser didático. É que estamos todos assustados com a violência e a criminalidade que tomaram conta do Brasil. E aquele que acha que não é tão grave assim é que porque precisa viajar um pouco.  Por sinal, adora a frase “ ufanismo se cura com viagens” que vão ensinar que Deus não é tão brasileiro assim.

Todo o dia circulam, principalmente pelas redes sociais, urros e imprecações contra a Justiça, a Polícia, as leis brandas.  Sinto muito se vou decepcioná-los, mas o Direito não é , nem de longe, a panaceia para nossos males.

Pergunto: num condomínio em que todos são pessoas probas, calmas, honestas e bem intencionadas, não importando seu poder aquisitivo, será necessária uma longa convenção? Penso que não, mesmo por1que os mandamentos fundamentais de um convívio estão enraizadas na educação das pessoas e nas leis gerais. E um condomínio de pessoas brutas e mal intencionadas: adianta uma convenção pormenorizada com um quaquilhão de artigos e parágrafos?

Ensinaram-me na Alemanha, que é onde o mundo inteiro estuda a Filosofia do Direito, que uma sentença criminal contém vários momentos:
a) O Wahrspruch ( Wahr - verdade + Spruch - dito, pronúncia= vere+dito)
b) o Schuld( culpa) + Spruch + dito de culpa.
Segue-se daí que o juiz, depois de proclamar que os fatos  são verdadeiros, diz se o réu é culpado. Em consequência pode  agregar uma pena legal ou não. Com efeito, existem hipóteses em que desnecessária se torna a agregação de uma pena legal, eis que o fato ( Tat) já puniu o réu suficientemente ( daí, ne bis in idem). Exemplo: o pai que atropela e mata o próprio filho dando uma ré no carro e agindo com imprudência. Dada a morte do  filho, que é uma " poena naturalis", deixa de aplicar a pena legal.
O simples enunciado, estatalmente exarado, de ser o réu culpado não é um " nada" penal. Numa pessoa de bem causa um sofrimento grande.Mas essas considerações , nas quais se perquire no mundo jurídico, não têm cabida entre grosseiros e primatas.
Assim, enquanto um homem probo recusa-se a sair de casa depois de sofrer uma reprimenda do  juiz, já que não mais será considerado um homem honrado, isso nos países do hedonismo, da velhacaria,  não funciona.
Resumo: o que faz uma sociedade ser sadia é o espontâneo e consensual cumprimento voluntário das leis. Se todos nós decidirmos afrontar as normas acaba o Estado de Direito e começa a selvageria. Conclusão: a Justiça foi concebida para lidar em casos absolutamente excepcionais, com a enorme maioria cumprindo os contratos, adimplindo suas obrigações, não delinquindo.

Fora disso a Justiça não tem como ser efetiva.

 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

SOBRE A VIDA DE NOSSOS IRMÃOS ANIMAIS; MAILS DOS DRS.ROGERIO G. OLIVEIRA E EISEU GOMES TORRES


Andou bem o Ruy ao preservar a morada do João de Barro.

Aprendi com meu pai (cujo sítio chama-se João de Barro) que somos nós os invasores do espaço onde muito tempo antes já habitavam em paz os bichos.

E desde que não sejam nocivos à nossa saúde, temos que abrir-lhes espaço, conviver com eles e ainda compensá-los pela nossa presença nociva no território deles.

Em não raras vezes em que meu pai encontrou algum bicho no sítio, mesmo uma cobra ou aranha, sempre capturou o animal sem machucá-lo, levou-o até um local seguro para “ambas as partes” e lá o soltou. Tenho feito isso também minha vida toda. E acho que passei adiante o conceito, pois uma de minhas filhas é devotada de tal forma aos animais que se recusa a comê-los, tendo se tornado vegetariana.

Na verdade, na perspectiva dos bichos, nós humanos é que somos os estorvos, os destruidores, os que aniquilam a vida.  Por isso, muitos deles nos evitam ao máximo, porque somos asquerosos e perigosos.  

Durante alguns anos, auxiliei uma mãe sabiá que todo mês de setembro vinha fazer ninho aqui, sobre o mesmo palanque do estacionamento aos fundos do terreno do escritório, bem debaixo do canto de uma mesma telha metálica. No primeiro ano, devido ao calor do sol esquentando e se irradiando pela telha metálica, muito próxima ao ninho, ela perdeu um dos filhotes. A partir daí, passei a montar uma pequena cobertura de madeira sobre aquela parte da telha, com um segundo telhado, impedindo que a telha esquentasse. Fazia isso sempre ao primeiro sinal de construção do ninho. A zelosa mãe sabiá parece que acostumou-se com minha presença ocasional. E fomos nesta lida durante uns 5 anos: ela sempre vindo fazer o ninho em setembro, no mesmíssimo lugar, sempre chocando e criando os seus dois filhotes, alimentando-os até sumirem depois das aulas de voo. Este é o segundo setembro que aquela mãe sabiá não dá o ar da sua graça por aqui. Talvez tenha encerrado seu ciclo de vida. Uma pena. Já estava acostumado com a convivência e parceira. Abrç, Rogério
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Quando o João de Barro escolhe tua casa para nela assentar a sua, iss0 é bom presságio. Não esqueçamos que o Barreiro é um legitimo arquiteto natural. Tem divisões em sua casinha e a entrada faz frente para o lado de 0nde não virão tempestades. E, finalmente, a tessitura de um ninho feit0 de barro e pequenos gravetos, é quase indestrutivel. Sacá-lo de lá pela força, é ato que viola a natureza. Por isso, parabéns, amigo Ru y.
 
 
 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

PENA DE MORTE AO JOÃO DE BARRO





Há pouco chamei um senhor para fazer um pequeno conserto em minha casa.
Lá pelas tantas ele vislumbrou que, numa janela do segundo piso, um joão de barro  concluia sua casa . Ele e sua companheira. E que eles deixavam restos de sua massa nas paredes recém pintadas e outro tanto no chão.
- o sr.não quer que eu  suba lá com uma escada e tire fora esse ninho e essa sujeira? É 30 pilas!
Minha primeira reação foi de ir na casa dele e a destruir. Mas, como sou um menino bem educado perguntei:
- o que esse bichinho fez contra o senhor?
-??
- Seu João, esses bichinhos têm tanto direito a viver aqui na Terra como nós, os sacanas que ainda vão exterminar com o planeta.
Seu João pegou suas ferramentas, mais o dinheiro pelo conserto e antes de entrar no seu carro me perguntou:
- o sr. está bem , seu Ruy?

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

UM RECADO AOS PAIS QUE CULPAM PROFESSORES


É *EM CASA* que as crianças devem aprender a dizer: 

 

01 - Bom Dia

02 - Boa Tarde

03 - Boa Noite

04 - Por Favor

05 - Com Licença

06 - Me Desculpe

07 - Me Perdoe

08 - Muito Obrigado

09 - Grato

10 - Errei

 

É *EM CASA* que também se aprende:

 

01 - Ser honesto

02 - Ser pontual

03 - Não xingar

04 - Ser solidário

05 - Respeitar a todos: amigos, colegas, idosos, professores, autoridades

 

Também *EM CASA* é que se aprende: 

 

01 - A comer de tudo

02 - A não falar de boca cheia

03 - A ter higiene pessoal

04 - A não jogar o lixo no chão

05 - Ajudar os pais nas tarefas diárias

06 - A não pegar o que não é seu

 

Ainda *EM CASA* é que se aprende:

 

01 - A ser organizado

02 -  A cuidar das suas coisas

03 - Não mexer nas coisas dos outros

04 - Respeitar regras, usos e costumes

05 - *Amar a Deus*

 

Porque *NA ESCOLA* os professores devem ensinar:

 

■ Matemática

■ Português

■ História

■ Geografia

■ Língua Estrangeira

■ Ciências

■ Química

■ Física

■ Biologia

■ Filosofia

■ Sociologia

■ Educação Física

■ Artes

 

E apenas reforçam o que o aluno aprendeu *EM CASA*!!!
( RECEBI PELA INTERNET)

domingo, 8 de outubro de 2017

TEXTO INTERESSANTE DE MARINA COLASANTI

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia   -  Marina Colasanti  
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

CÓDIGO IMPLICITO - ARTIGAÇO DE STAVROS FRANGOULIDIS


Aqui no Brasil, diferente dos Estados Unidos, não há tolerância com a arrogância nos negócios.

Lá é normal uma pessoa se vangloriar dos seus sucessos, ostentar suas conquistas e posicionar-se como um vencedor.

Aqui, se você fizer isso, é trucidado.

Então temos por aqui um código implícito que pouco tem a ver com aquilo que lemos nos livros de vendas e vemos nos filmes que tratam de negócios.

Algumas diferenças entre as duas culturas.

1. Objetividade

Por aqui você deve agir sem muita objetividade e usar um pouco de rodeios antes de entrar no assunto em si.

Acontece que muitas vezes essa fase de falar de tudo menos do que interessa toma tempo demais e isso é ruim para quem está na mesa.

Dentro da objetividade, que é um tópico mais complexo, eu encaixaria a falta de foco, foco esse que ambos os interlocutores tem que preservar pelo seu bem comum.

Mas como no nosso código social, precisamos falar de tudo menos do que interessa, para "esquentar a conversa" então o foco fica escondido sob algumas gordas camadas de dispersão que somente diluem sua energia.

2. Dinheiro e valores

Aqui no Brasil a questão do quanto vale ou quanto você ganha ou quanto eu cobro é tratada com todo cuidado.

Parece que falar de dinheiro por aqui é um tabu, quase uma vergonha.

Mas sabe de uma coisa? Isso não é somente por aqui não. Lembro de um empresário grego que queria vender seus serviços de turismo aqui e falei na lata quanto custaria para ele fazer uma campanha de captação de agência de turismo.

Falei logo no primeiro call. Ele ficou ofendido. Fazer o que..?

Prefiro falar logo do que gastar 8 reuniões até chegar na questão de valores e orçamento para aí sim a pessoa se ofender (geralmente fazem isso sumindo, depois de receber uma proposta).

Não sei as origens desse comportamento, mas também me sinto desconfortável em dizer na lata quanto valem meus serviços. Incrível isso, mas 30 anos operando à luz do mesmo código, você acaba sendo sua amostra mais perfeita.

De toda forma, mesmo desconfortável, falo de valores logo no primeiro encontro ou no máximo no segundo.

3. Sucesso

Aí que eu vejo a maior diferença entre culturas nos negócios. Aqui no nosso país, se você fizer sucesso, vai incomodar muita gente, inclusive dentro da sua casa.

Preto no branco: Sucesso agride. E aqui não digo apenas sucesso financeiro. Digo do seu sucesso pessoal, que pode ser um diploma, uma promoção, um novo emprego, uma nova habilidade, um reconhecimento, enfim tudo aquilo que você lutou para conseguir.

Ao conseguir, se você brandir para o universo a sua conquista, será invejado(a).

Até aí tudo bem. Isso é humano. Mas por aqui, creio que seja extrapolado.

Alardeie suas conquistas e prepare-se para lidar com uma legião de haters.

Não que alardear suas conquistas seja algo produtivo, mas é exagerada a reação dos odiadores.

Acredito que não agregue a ninguém você se auto promover, pelo contrário, reduz sua imagem.

Nos negócios, que é uma questão de confiança, você deve se posicionar e ser (importante isso) como alguém que pensa e age para o sucesso do seu cliente ou da empresa na qual você trabalha.

Aí sim, você será considerado. Pense nisso. Essa é uma mudança profunda que você pode buscar para ampliar seu raio de ação.

A partir do momento que seu sucesso advém como fruto do sucesso de quem você preza, você terá uma legião de adoradores.

Agora, com relação ao público externo, esqueça. Sempre haverá críticos e odiadores, por conta da pura inveja.

Mas enquanto o cães ladram, a caravana passa.

4. Retornos e atrasos

Melhorou nos últimos anos, mas por aqui no Brasil, chegar atrasado meia hora para uma reunião era normal (sabe como é o trânsito, né?).

Nunca me conformei com isso. Eu saio e chego na maioria das vezes com meia hora de antecedência e chego a passar vergonha por ter chegado tão mais cedo.

Prefiro isso, do que chegar atrasado para um encontro.

E essa mania de f...-se que a maioria age, não é só nos negócios, é na vida familiar e pessoal. Parece que por aqu, o tempo dos outros vale menos.

Isso tem a ver muito com a nossa cultura de baixa empatia, baixa solidariedade, baixa compaixão, baixa auto estima.

Mas melhorou muito nos últimos 10 anos. Ainda há atrasos em tudo (em chegar na hora certa, em dar o retorno, em entregar um serviço) mas bem menor do que antes. Pelo menos essa é a minha sensação.

5. Conhecimento e intelectualidade

Ser professor por aqui é sinal de ser um trabalhador sofredor que ganha pouco e ensina mal.

Não ensinamos dentro de casa aos nossos filhos o respeito devido aos outros e principalmente aos pais e professores.

Na Grécia, nós beijávamos as mãos dos nossos professores, pais e autoridades religiosas. Você deve aprender a se curvar frente à uma autoridade. Isso é fundamental para a formação do caráter e senso de civismo.

Aqui uma pessoa que anda com carro de luxo é tida como mais bem sucedida que uma pessoa que fez doutorado ou concluiu um MBA. Ambos não se deve ostentar, pelo que mencionei acima, mas dar publicidade aos seus bens materiais é tido como um sinal de "cheguei lá e você não."

Escrever um livro, dar aula em uma faculdade renomada, proferir palestras, defender teses, ou seja, dar publicidade a sua atividade intelectual também causa desconforto a outrem. É tido como um sinal de "eu ensino e você não".

Bem, nosso código é imperfeito, mas é esse.

Morei na Europa, onde me alfabetizei na Grécia e nos Estados Unidos, onde trabalhei como carregador de móveis para sustentar meus estudos.

Sou brasileiro e por mais que você tenha dificuldade em acreditar nisso, tenho muito orgulho do nosso país.

Somos o celeiro do mundo. Sim, não exportamos tecnologia. Exportamos comida. É mais importante.

Esqueça o noticiário. Não vai te ajudar em muita coisa.

Crie seu código de conduta pessoal e coloque as melhores pessoas nos seus raios de ação mais próximos e cresça.

A soberba precede a destruição.

Humildade, foco, trabalho árduo que chegaremos lá. E deixe falarem.
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