domingo, 19 de fevereiro de 2017

ENCANTADORA MENSAGEM DA PSIQUIATRA E COMUNICADORA LAIS LEGG


Oi, Ruy:

              Como tu, um dia, eu também não gostava de Roberto Carlos. Mas a maturidade abranda, passei a "reescutar" coisas dele e mudei de opinião.

 

Ouvi uma entrevista de Erasmo Carlos, que contou que o telefone de sua casa tocou e o homem, do outro lado da linha, dizia ser Andrea Bocelli. Pensando ser trote, ele já ia desligar, quando o homem insistiu. "Sou Andrea Bocelli e quero sua permissão para cantar "Sentado à beira do caminho". Erasmo disse que chorou, copiosamente, e eu também. Bocelli gravou "L´appuntamento"

belissimamente.

 

              Quem não lembra de Roberto Carlos cantando no Festival de San Remo "Canzone per te"? E não fez feio. Em outro festival, cantou "Un gatto nel blu", que não venceu, mas também não fez feio. E de sua timidez, no Festival da Record, cantando "Maria, carnaval e cinzas"?

 

               Acho que derreti o gelo na festa do Dia das Mães, na ACM, quando minha filha tinha 7 anos de idade. Todas as crianças estavam na cancha de esportes e todas as mães nas arquibancadas. Quando começaram a cantar "Como é grande o meu amor por você" e cada um daqueles pitoquinhos olhava para a sua mamãe, estendendo uma rosa vermelha, capitulei.

 

                Por fim, o vi cantar Bossa Nova. E o cara tem "bossa". É afinado, tem voz intimista e cantou "Teresa da praia", com Caetano Veloso, de maneira inesquecível.

 

Não adianta, o cara é a trilha sonora de 98% dos brasileiros.

Abraços,

Laís

sábado, 18 de fevereiro de 2017

MINHAS VÁRIAS VIDAS, MORTES E RESURREIÇÕES

Começo com Roberto Carlos, de cuja voz não gosto, nem da maioria de suas composições:
 Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro todo dia sem você saber



O que restou do nosso amor ficou
No tempo esquecido por você
Vivendo do que fomos ainda estou
Tanta coisa já mudou, só eu não te esqueci.


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Penso que voltar para onde já se foi é algo que quase sempre redunda em erro.
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Geralmente as pessoas se criam, crescem, ficam adultas , vivem e  morrem no mesmo lugar.
Sua vantagem é de firmar sólidas amizades e irreconciliáveis inimizades. E brigas infindas entre parentes, principalmente na hora do inventário.
Se é de cidade grande, quer ter um sítio, verdadeira " amante argentina".  Se é de lugar pequeno, maravilha-se com miragens de todo o tipo.
Algumas profissões fazem do cara  um cigano. Aviadores, motoristas de caminhão, juízes, promotores, policiais, militares.
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Eu sou um desses casos.
Nasci na Santa Cruz pequenina que hoje não existe mais. Santa Cruz charmosa, poliglota, colorida.
Saí muito cedo e ali morri pela primeira vez.
Ressuscitei em P. Alegre, que hoje não existe mais.
Lá cursei o Direito na UFRGS. Não havia assaltos. Eram os anos 60.
Morri quando saí de P. Alegre e fui ressuscitando nas diversas comarcas onde fui trabalhar como juiz.
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Onde doeu mais minha saída foi de Santiago, em 1976. Era um ninho de águias, um lugar lindo.
Depois voltei para a Grande P. Alegre.
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Houve minha semi-volta para Santiago. Que não era mais a Santiago de antes. Tudo tinha mudado. Não interessa se para melhor para para pior. Eu devia ter  calculado ou sabido, se não fosse tão inocente, que o rio nunca passa nas mesmas margens.
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Não teve outro jeito que não voltar a P. Alegre, essa mãe andrajosa  hoje em dia, mas que recebe  seus filhos pródigos, com seus braços trêmulos.
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Nessas andanças que ainda não terminaram, fui semeando amigos por todos os recantos. Mas , por falta de regar essas sementes, em boa parte, feneceram, secaram, morreram.Algumas, não todas.
O grande problema é que a amizade alimentada a mails e watts apps leva um choque anafilático ou um AVC ante  a concretude de um face to face.
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Prossigo outra hora.
Mas antes preciso dizer que estou hiper, triper, bem. Apenas estou refletindo e concluindo que a vida , a morte e a ressurreição são só para quem não tem medo de mudar.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

CARLOS VELLOSO ,CONVIDADO PARA O MINISTÉRIO DE TEMER, PARECE QUE NÃO ACEITOU

O Presidente Temer quis aplacar as críticas pela indicação ao STF e puxou da manga uma carta: um Ás de ouro, o ex Presidente do STF Carlos Velloso.
Figura maravilhosa, culto, íntegro, decente, ético: é o pouco que se pode dizer dele.
Parece que não vai aceitar.
Se for isso, acerta na mosca.
Mas o que eu queria dizer é que nos anos de 1998 ou 1999 a Ajuris participou, com sua equipe de tênis, na Academia de Tênis de Brasília, de um torneio nacional de juizes.
Carlos Velloso era Presidente do STF.
Se despiu da toga, calçou tênis, colocou calção e camiseta e participou do torneio.
Se jogou bem ou não, não me recordo.
Só não me olvido da grandeza desse homem singular.Eu estava lá.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

TEMER TERIA QUE EXPLICITAR SUA INDICAÇÃO AO STF


Muitas vozes, ante o falecimento do  saudoso Min. Zavascki, advertiram, com catadupas de argumentos, que seria de bom alvitre Temer pensar bem antes de indicar seu escolhido para integrar o sodalício que outrora, todos genuflexos, nominavam de Excelso Pretório. Com efeito, os integrantes do STF eram  pessoas de total respeitabilidade.

O atual Presidente é homem de mais de 70 anos, aparentando boa saúde, mas de mais de 70 anos. Tem um filho pequeno. O que atesta sua boa condição.

Ouso colocar-me em seu lugar, eu que sou alguns anos mais jovem.

Apesar de meus pecadilhos do passado, teria eu, agora, coragem de piorar minha biografia, para desalento de meus filhos e netos? Faço essas indagações porque o Presidente é um homem letrado e inteligente.  O que o teria levado para indicar quem indicou?

Não resta dúvida que o ex Ministro da Justiça preenche todos os requisitos para , em tese, postular, como postulou e foi atendido, o cargo. E os supostos plágios? Não lhes demos dimensões extremas . Muitas vezes, ao se escrever, esquecemos das aspas e rodapés, ou, no torvelinho das agendas, não lemos direito o que nosso estagiário pesquisou por nós. Coisas da vida. Não se veja nada de grave nisso ou no fato de o indicado ter advogado para esse ou aquele.

Mas o Presidente, já no início da senectude, não poderia ter feito uma indicação olímpica, de pessoa fora do Governo, um jurista de escol, um advogado, um promotor, um juiz de nenhum contato com as entranhas do Poder Executivo?

Dirão os praxistas e os seguidores  de Wiliam James: “ primeiro os meus, Matheus” !  E aí se espalham, de todos os cantos, os embargos à indicação. Não, não acredito em intenções subalternas.

Mas , caro leitor, só entre nós, como  contrapor argumentos à seguinte indagação: “ mas não havia  nenhum outro ou outra de ilibado proceder e notório saber jurídico, nos limites do Oiapoque ao Chui, que não fosse tão controvertido ?”

O Presidente Temer tem o dever ( e nós temos o direito de saber) de vir a público e explicar  o que motivou sua escolha. Todos sabemos que a aprovação é certa no Senado.

Inobstante isso, faria bem  para sua biografia.

 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

UM POUCO DE NIETZSCHE - COM TRADUÇÃO

Friedrich Nietzsche –
Ecce homo
Ja! Ich weiß, woher ich stamme!
Ungesättigt gleich der Flamme
Glühe und verzehr ich mich.
Licht wird alles, was ich fasse,
Kohle alles, was ich lasse:
Flamme bin ich sicherlich. Friedrich Nietzsche – 1844 – 1900
Sim! Conheço minha estirpe!
Insaciável qual chama
ardo e me consumo.
Tudo em que toco, vira luz,
tudo de que desisto,  carvão:
sem dúvida,  sou chama.
( trad. Lissi Bender)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

NOSCE TE IPSUM

Sim, " nosce te ipsum", conhece-te a ti mesmo.
Penso ser fundamental, para uma vida mais ou menos sem sobressaltos e retilínea, conhecer e re+conhecer as feras que nos habitam.
A Humanidade sempre teve, aqui e acolá, a salutar prática de a pessoa se retirar, de tempos em tempos, para pensar, meditar, refletir. Para tanto, o isolamento não era difícil, a população era mais rarefeita do que hoje.
De muito me serviram os chamados " retiros espirituais", em que ficávamos recolhidos às vezes por três dias, sem poder conversar, apenas lendo ou ouvindo palestras.
Quem já não sentiu vontade de parar com tudo, desligar a TV e o rádio e ficar quietinho?
Será? Como viver sem o celular? e o face?
Eu não tenho face, nem terei. Não sinto necessidade de alardear quantas vezes tomei banho hoje ou que comprei a Lamborghini do Eike.
A " ida para o deserto" como tantos profetas já fizeram, pode muito ajudar na reorganização das idéias. O " retiro", com o distanciamento, faz com que possamos ver melhor a pequenez do que no aturdimento nos parece grande.
Penso não haver como se conhecer a si próprio no meio do alarido, nem que seja virtual.
Daí o meu distanciamento gradativo de postagens no blog.
A felicidade é uma consciência solitária.
Por isso acho problemático dizer: MUITAS FELICIDADES . Por que o plural?
Felicidade, além de ser  difícil e até perigosa de ser alardeada, é sentimento de inefável paz que só o silêncio e a reserva podem desvendar. É segredo de si para si.
Daí eu não entender porque querem me convidar para sair à noite e não aceito. Como explicar que gosto de dormir cedo e assim sou feliz?
Melhor não tentar explicar.  
Conhecer a si mesmo pode doer, no começo....

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SAMBAQUI DE XANGRI LA - QUE DECEPÇÃO

Zero Hora de hoje, sob o título de HORIZONTE PERDIDO, publica, na pg 32, uma matéria sobre o sambaqui de Xangri La.
Hoje de manhã, ao voltar do tênis, fui conferir.
Credo! Os pobres índios que eventualmente foram enterrados ali devem estar furiosos com o que os humanos atuais fizeram com seu santuário.
Lixo e capoeira.




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

RÁDIOS - O ACADÊMICO E INTELECTUAL FRANKLIN CUNHA ENTRA NO DEBATE


Ruy

 

O ilustre Des.Newton Fabrício que muito lutou pela cultura em seu saudoso blog  PELEANDO CONTRA O PODER “( com o qual colaborei muitas vezes),tem uma visão lúcida e correta de nossa radiofonia.

E sobre a fascinação do brasileiro com o futebol. São tendências criadas, elaboradas e difundidas , na realidade, por interesses financeiros do lucro a qualquer custo. Em Londres, me surpreendi vendo uma turma de jovens num restaurante e num sábado à tarde, vibrando e torcendo aos gritos assistindo na TV um jogo de críquete. O Fantasma da Ópera está há 20 anos em cartaz.

 E a Ratoeira (inglês: The Mousetrap) da  Agatha Christi já foi representada 30 mil vezes desde 1952.

Em Delhi assisti uma transmissão nacional em cadeia vista por milhões de pessoas de um jogo de hóquei sobre a grama. Em Moscou, uma final de xadrez entre dois jovens enxadristas, fez o comércio e outras atividades cessarem durante várias horas. E o balê Gisele,  de Adam, ficou vários anos em cartaz.

Minha modesta observação  sobre esses fatos, tão oportunamente assinalados pelo Des.Newton Fabrício é que  a tarefa que, nós  culturalmente privilegiados temos  é a  tarefa cidadã de não aceitar as políticas de identidades de hábitos e de ideias tais  como  nos são dados, mas mostrar como todas as representações difundidas principalmente pelo tsunami midiático, todas são pensadamente construídas e nos cabe também perguntar quais dão suas finalidades , quem são seus criadores, quais são seus componentes .  

Eis um tema adequada e oportunamente ventilado por Ruy e seus amigos.

Com meu abraço afetuoso.

Franklin Cunha

Médico

Membro da Academia Rio-Grandense de Letras

AINDA SOBRE RÁDIOS - MENSAGENS IMPORTANTES

DES. NEWTON FABRÍCIO
 

É importantíssima essa tua manifestação. Explico: desde que o Ruy Ostermann abandonou o rádio faz uma enorme falta um programa de entrevistas diferenciado, como ele fazia. Não existe, nas emissoras do RS, um programa de entrevistas de caráter cultural. Muito pelo contrário: ou são amenidades e informações superficiais, ou é futebol e futebol (em tempo: gosto muito de futebol. Mas cansa ver tanto espaço dedicado ao futebol e nenhum à Literatura, ou História, por exemplo). 

Imagina um programa que um dia entreviste Voltaire Schilling sobre História, outro dia Luís Augusto Fischer sobre Literatura, outro dia Veríssimo sobre jazz, e outro dia ainda, Moacir Araújo Lima sobre Física e a Teoria das Cordas, por exemplo. Imagina ainda outros do mesmo gabarito sendo entrevistados sobre Filosofia, Medicina, viagens, etc. 

Assunto não falta, Ruy. Público interessado também não. O que falta é iniciativa. 

Um grande abraço. 

Newton Fabrício
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DR. PAULO AUGUSTO COELHO DE SOUZA
 
Pois amigo Ruy, teu sonho de rádio já existe.  E o Sartori tá querendo acabar com ela. É a Rádio FM Cultura, 107.7. Programação cultural e musical da melhor qualidade, super equilibrada (MPB, clássica, rock, nativistas, regionais, samba, e por aí vai). E o melhor, pode ser ouvida em aplicativos e direto na internet: http://www.fmcultura.com.br/ . Se ainda não conferiste, o que duvido, confere lá!
 
Abraços, 
 
Paulo Augusto Coelho de Souza
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JORNALISTA ROSANE DE OLIVEIRA
 
 
Obrigada, meu caro Ruy, pela generosidade. Agradeço em meu nome do Daniel Scola, com quem tenho o prazer de dividir essas quase duas horas nas manhãs da Rádio Gaúcha.  As críticas também são bem-vindas.
Um abraço
Rosane
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JORNALISTA E ESCRITOR JOÃO LEMES




Caro Ruy; no interior é pior. Pegam o primeiro locutor que aparece e metem ele para ler jornais e sites. E ler mal... 
 
 

 
 
 
 
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O DESENCANTO RADIOFÔNICO

Minha primeira experiência em rádio foi na ZYE8 Rádio Santa Cruz, aos 16 anos.
Depois segui vários caminhos, mas sempre atrelado às rádios. Até jogos comentei na rádio Santiago.
Tive um programa  de muita audiência na Rádio Pampa;
A proposta inicial era um programa rural, das 7 às 9,30 da manhã aos domingos
Aos poucos fui lendo e comentando as manchetes do jornal O Sul,  partindo para entrevistas descontraídas e relâmpago.  E a proposta inicial ficou só com uma pequena parte.
Lembro-me que o IBOPE constatou minha liderança, no horário, nas classes A e B.
Minhas entrevistas eram fulminantes: exemplo, eu entrevistava a Desembargadora Maria Berenice Dias.Foi a primeira mulher a ser admitida no cargo de Juiza no RGS. As mulheres tinham suas  inscrições indeferidas. Sim, isso só teve fim em 1973.
Bem, perguntei para a Berenice se era verdade que , na entrevista do concurso, um desembargador lhe perguntara se ela era virgem.
Ela respondeu: sim, me perguntaram.
E que tu respondeste? indaguei.
Que eu era, disse ela.
E tu eras mesmo? ( isso no ar)
e ela: pior que era.....
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comerciais! ( toca um pedaço na Nona de Beethoven).
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Há uma rádio potente da capital que, em determinado horário,o programa ficou resumido a temperatura, acidentes de trânsito, chasques, repetições, galinhagem com as estagiárias, e numa,borrachos entrando no ar. Me digam, o que a pessoa que mora em Bento Gonçalves quer saber se o ônibus da Carris furou o pneu?
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Mendelski, quando está sozinho, é muito bom.
O melhor de todos é o do Scola e da Rosane de Oliveira na Gaúcha. Dado o horário, nem sempre consigo acompanhar.
A Pampa tem um ou dois bons programas.
A Band também.
-- Mas ,  na madrugada, que  coisa é horrível. Solilóquios e mais solilóquios. Em todas elas.
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No interiorzão  imperam os rezadores.
Ainda bem que há os aplicativos. Recomendo a rádio da Universidade do RGS.
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Parece, segundo noticia o Prévidi, que a RBS vai revolucionar no setor rádios.
Aguardemos.
Mas eu acredito que agora as emissoras da capital têm que  ficar num segmento, ou de faixa etária, ou de poder aquisitivo , ou de exigência cultural.
Eu, se fosse mais novo, comprava um espaço numa rádio potente e só  falaria em arte, cultura, política, fazendo entrevistas blitz com gente interessante.
But now it is to late for me.
Or not?

domingo, 29 de janeiro de 2017

DESAPEGO - POR NENITO SARTURI


Nenito Sarturi, Advogado, delegado de Polícia aposentado, jornalista, poeta, homem correto e sábio, é uma das mais raras jóias da cultura brasileira.
Agradeço de coração o poema com que ele me presenteou.
 
DESAPEGO* (Nenito Sarturi)

Inspirada em texto de Ruy Gessinger

 

Presenteei minhas bombachas

Chapéus e demais aperos:

Já que sou um ex-campeiro

Não preciso desses “luxos”:

Sei que não cabem debuxos

No nono andar deste prédio

Mas, apesar do meu tédio,

Eu permaneço gaúcho.

 

Ainda sinto as flexilhas

Acariciando meus pés

E revejo os aguapés

Daquele arroio dos fundos.

Eu sou mesmo um vira-mundo

Que não se apega aos apegos,

Mas o cheiro dos pelegos

Ainda está no meu mundo.

 

Arrendei todos os campos

Mas não perdi minha essência,

Quando vejo pirilampos

Minh’alma pede tenência

E me leva, mesmo em sonho,

Para os confins da Querência!

 

Deixei na estância os arreios,

Meu cavalo eu presenteei:

Não quero me sentir rei

Se já não tenho mais “trono”.

Afinal, não somos donos,

Do que temos nesta vida

E, quando falta a guarida,

Nos sobra a dor do abandono.

 

Não trouxe nenhum pelego

Para não sentir o cheiro

- Pra quem foi homem campeiro

Esta saudade é demais...

Lembranças são imortais

E, embora perto do fim,

A estância, que vive em mim,

Não vou esquecer jamais.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

PARA QUE DEZ BOMBACHAS, SE JÁ TENS TRÊS?


Isso me disse, em castelhano, um amigo argentino, há vários anos.
Depois que celebrei parceria rural na fazenda que continua de minha propriedade, não voltei mais. Só falo com meu parceiro por celular ou por Watts.
E trouxe , em duas caminhonetes, todos meus mijados: CDs, livros, troféus, botas, ponchos, chancletas.
Deixei lá arreios, que nunca mais vou utilizar. Dei o Poeta , meu cavalo predileto, para uma me nininha. A eguada vendi para meu parceiro e algumas doei.
Vendi meu lindo caminhão boiadeiro porque não vou mais levar nada para a Expointer.
Não trouxe  pelegos para não sentir o cheiro e assim me dar saudade demais.
Os 550 kms que fazia só de ida devem estar preocupados:
- chê, o que aquele cara da SW4 preta que passava aqui a cada dez dias , que estará fazendo que não passa mais? assim, os frentistas de postos, os vendedores de mel, os atendentes das lancherias.
Esses dias estava abrindo meus caixotes com as coisas que trouxe da fazenda: livros técnicos, troféus, bombachas, chapéus, boinas.
Onde vou usar tudo isso agora? centenas de milhares de bombachas, eu era tarado por bombachas. De algodão, de brim, de lã, tinham as  modelo castelhano e as largas. Todas eu usava sem cuecas.
E eu era tarado por botas. Não podia ver um par de botas e já comprava.
Esses dias chamei um encanador ao meu apartamento de P. Alegre. O cara veio de alpargatas e uma bombacha  toda remendada. Pronto. Já presenteei ele com uma das minhas  milhares.
Um dia perguntei, mil anos atrás, para um preso, como ele se sentia sem poder fazer sexo todos os dias. Ele me respondeu que nos primeiros dias o cara fica quase louco, mas depois acostuma e acostuma. O que não tem solução doma a gente.
Depois de algum tempo só lendo, caminhando, praticando esportes e exercícios, comendo muito peixe, sem maiores compromissos, a gente se sente muito, mas muito, mas hiper bem. A gente sai fisicamente de um lugar, mas a alma sempre tarda um pouco para acompanhar. Mas acaba acompanhando.
Vou dar minhas milhares de bombachas, vou ficar só com três.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

QUEM NO LUGAR DE TEORI II ?

A imprensa especula só entre candidatos engajados politicamente.
Pois é hora de a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Ajuris, a OAB Rs e demais entidades entrarem em campo para  defender a idéia de Paulo de Tarso Vieira Sanseverino para o STF.
Vamos, de início , para a Wikipédia:

Paulo de Tarso Vieira Sanseverino (Porto Alegre, 16 de junho de 1959) é um jurista e professor brasileiro, atualmente exercendo o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça.[1]
Filho de José Sperb Sanseverino e Maria Thereza de Jesus Vieira Sanseverino, foi também Desembargador do Tribunal de Justiça do estado do Rio Grande do Sul, desde 1999.
Era magistrado de carreira no mesmo estado, desde o ano de 1986 e, no ano de 2010, compôs a lista tríplice para indicação a Ministro do STJ, após concorrer com outros 48 integrantes de Tribunais de Justiça a vaga destinada a esta classe. Graduou-se em Direito também pela PUCRS e posteriormente cursou mestrado e doutorado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Dentre outras atividades docentes, além da PUCRS, exerceu o magistério na Escola Superior da Magistratura (Ajuris/RS), tendo sido diretor no biênio 2006/2007.
Esse nome é confiável. Inteligente, independente, educadíssimo.
Vamos ver se o Presidente Temer  pensa bem, deixa seus Ministros e outras figuras exponenciais o auxiliando, mas indica para o STF um juiz de escol, na verdadeira acepção da palavra.

sábado, 21 de janeiro de 2017

QUEM PARA O LUGAR DE TEORI?


Depois do editorial de Zero Hora de ontem, bem como do artigo de Cláudio Brito, pouco haveria mais a dizer sobre o magistrado exemplar, lamentavelmente falecido.

Creio, no entanto, cabíveis algumas observações sobre o perfil que deverá ter a pessoa a ser indicada para o substituir.  O exercício da judicatura não se compadece com arroubos de estrelismo, carência de elegância e afabilidade no trato com as pessoas, inclusive colegas de toga.

Sim, o juiz deve ser um bom conhecedor do Direito, mas isso não é tudo. Importa muito seu caráter, sua formação humanística, sua trajetória, dentro e fora dos Tribunais e Foros.

Quando , já como desembargador, integrava a Comissão de Concurso para Juiz,  eu defendia a tese de que não nos deveríamos ater tão só às provas teóricas quando do recrutamento. Pensava e penso que o importante é  se avaliar bem o perfil do candidato, já que ninguém pode olvidar ser o poder de julgar delegado pelo povo. É dele, povo, que emana esse Poder. Ponderação, equilíbrio, boa índole contam muito.

De alguns tempos para cá viram-se comportamentos, em vários níveis da Jurisdição, não condizentes com os mínimos princípios que norteiam o trato interpessoal. As galas e a cerimônia, essenciais a esses atos, foram relegadas para troca ríspida de apartes e até de acusações.

A televisão mostrava esses  desagradáveis eventos, que devem ter feito muito mal até nos lares em que, conquanto humildes, imperam os bons modos.

Teori sempre foi estudioso, trabalhador, sério, responsável, ótimo na sua relação com colegas, cuidadoso no que diz com a  mídia. Esta faz seu papel em busca da informação. Incumbe, porém,  ao magistrado ser lhano, mas não atropelar o devido processo legal em suas falas fora dos autos.

O Supremo Tribunal Federal  já foi integrado por homens e mulheres de notável e exemplar sabedoria tanto que, décadas atrás, era referido como o Excelso Pretório.

O modo de acesso a ele , estou convicto, deve ser repensado.  Mas isso é assunto para mais adiante. O que importa, agora, é que seja indicado alguém que, no mínimo, se aproxime do perfil do pranteado Ministro Zavascki . Alguém com irrepreensível trajetória jurídica e de preferência judiciária. O momento é grave. Mas o Presidente Temer, que não é jejuno nas lides jurídicas, ao contrário, jurista talentoso, há de bem avaliar e bem se aconselhar.

É o que se espera.

 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

AINDA O FALECIMENTO DO MINISTRO TEORI ZAVASCKI

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Com enorme pesar e consternação a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) manifesta o sentimento de luto da nação brasileira pela morte do ministro Teori Albino Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), e dos demais passageiros que estavam a bordo do avião que caiu no litoral do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (19).
Homem de caráter e conhecimento jurídico indiscutíveis, Teori pontuou sua vida pela retidão de suas atitudes. Nos últimos anos, ensinou aos operadores do Direito e a todos que acompanhavam sua carreira na mais alta Corte do País a ser um exemplo de parcimônia e responsabilidade na atuação judicante.
Professor universitário e juiz federal de carreira, o magistrado Teori Zavascki desde 2012 exercia suas atividades como ministro do STF, sendo conhecido por sua discrição, mesmo na presidência de processos de grande repercussão. Sua morte repentina estarrece a todos.
A AMB manifesta suas condolências aos amigos, colegas  e familiares do ministro.
Jayme de Oliveira
Presidente da AMB
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