quinta-feira, 20 de julho de 2017

BELO ARTIGO DE UM JOVEM SANTIAGUENSE


 


Juventude mais próxima da política sim!


    Em tempos de tanta polarização política partidária e ideológica em nosso país, cresce também o número de jovens interessados pela política e pelo funcionamento do poder no Brasil. Mas o que cresceu não foi exatamente o envolvimento dos jovens com partidos ou com seus programas doutrinários, mas sim com a política de “P” maiúsculo.
    Ao se aproximarem da política, os jovens querem entender como o poder é distribuído, como funciona e a quem é delegado essa poderosa ferramenta, capaz de decidir o futuro de todos nós. O jovem quer saber quais são os seus direitos e por que eles não estão sendo cumpridos. Eles não querem saber se o Lula irá preso, se o Aécio será cassado ou se o Temer vai conseguir cumprir seu mandato até o fim. Eles querem sim questionar os motivos pelos quais o Brasil é um dos países que tem a maior carga tributária do mundo e mesmo assim o Estado não consegue cumprir suas funções bá sicas como segurança, saúde e educação. Ele questiona qual a razão de pagarmos três vezes mais por um produto só por causa dos impostos.
    Os jovens querem questionar a omissão do poder público e por que um conchavo de políticos acaba tendo muitas vezes mais força que o sentimento de centenas de milhares de brasileiros, seja nas ruas ou praças públicas, refletido nas telas das redes sociais. Essa mobilização da juventude brasileira que dia após dia se interessa mais pela política e reconhece através disso o poder de seus votos, se pulveriza por todas as classes e faixas etárias, somado muitas vezes ao sentimento de abandono e injustiça de seus pais e demais familiares.
    Com toda certeza, cada vez que o jovem se aproxima da política ela melhora, pois sua inquietude, vitalidade e determinação são as maiores ameaças aos poderosos políticos que tratam a nação como se fossem meros criados em tempos de escravidão e escuridão. Viva a juventude que representa o futuro, capaz de mudar a realidade em que vivemos e fazer com que a política seja de fato um agente de transformação positiva da vida das pessoas. É a política encontrando seu espírito fundamental!

*Fernando Silveira de Oliveira
Acadêmico e presidente do Diretório Acadêmico de Direito Moysés Vianna - URI de Santiago

SE FOI MEU INSPETOR DE POLÍCIA DE SAO JERÔNIMO

Eu estava no 4. ano de Direito na UFRGS quando soube que poderia participar do concurso para Delegado de Polícia. Fui aprovado, cursei a Academia de Polícia ( desculpem a imodéstia, mas fui o Primeiro classificado da turma). Assumi em Triunfo e logo depois em São Jerônimo. Formado em Direito em 1969, decidi pedir exoneração para advogar.
Voltando.
Na delegacia de São Jerônimo estava lotado um Inspetor, mais velho que eu, chamado Paulo Sant'Anna. Passava usando uma camiseta do Grêmio por baixo da camisa. Muito risonho, gostava de cantar e frequentava programas nas rádios e nas TVs.  Era alucinado pelo Grêmio.
Depois que que saí da Polícia raramente me encontrava com ele, mas quando isso acontecia era papo de quase uma hora.
Conquanto frequentemente eu discordasse de algumas coisas que escrevia, não restava dúvida de que era um fenômeno em matéria de comunicação. De seus textos se notava , claramente, que  estudava e lia muito.
A última vez que o vi foi numa janta na Sede Campestre da Ajuris.
Viveu intensamente mesmo.
Este " se puxou", como se diz. Veio de um lar humilde, mas subiu os degraus da vida com muito denodo.
Passa, agora, para a História.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O LADO CAMPEIRO DE SANTIAGO E UNISTALDA ESTÁ NO DNA DE RUDOLF E MARISTELA



Conquanto fiquemos a maior parte de nosso tempo em P. Alegre e Xangri La , é incrível como puxa esse tal de DNA campeiro.
Maristela é nascida em Santiago e Rudolf morou e estudou lá uns tempos. Os dois permanecem escandindo as sílabas nesse falar tão sonoro e correto dos habitantes da região pecuária. Nada  do sotaque portoalegrês.
Pois não é que os dois não descansaram enquanto não permiti que se  instalasse  em nossa casa de Xangri La um fogão a lenha?
Ora, essa casa é do estilo moderno, de que jeito poderia abrigar um móvel desses? E a fumaceira? e o cheiro de picumã.
Mas a duplinha campeira insistiu.
Resultado. Consegui um especialista em lareiras e instalação de fogões que providenciou canos inoxidáveis e furou a parede da salinha onde ficaria o fogão. Passou  chaminé para o lado de fora e furou duas lajes de concreto, sem deixar margem a goteiras. E láááá em cima, no terraço, terminou a chaminé. Sem voltar nada de fumaça. E dê-lhe os dois a  cozinhar de tudo.
Em X La é fácil adquirir lenha, tanto para fogão como para lareira.
O que é o DNA campeiro!!
Mas até eu  me apaixonei e agora, até quando não esteja muito frio, mesmo assim chimarreio na frente do fogão ou da lareira.
Será que o DNA me passou por osmose?

AINDA OS FOLGUEDOS INFANTIS - MENSAGEM DO DES. ELISEU TORRES


Antes da adolescência, tinha um saquinho de bolitas (águeda, acinho, umas  floreadas, listas lindas). A gente jogava na rua e era um jogo limpo, brihante para quem tinha “nhaque”. Eu não era dos melhores ; havia, na turma, quem se rebuscava e era temido. Nossas armas eram o canivete e o bodoque. Eu fazia os meus próprios, forquilha caprichada, borracha de câmara de pneu, sola bem arrochada para receber a pedra. E, nisso- na arte de usar o bodoque, era um ás, Pobres passarinhos. Era certeiro. Quando passava férias na fazenda de meu avô, a vó Gregória sacudia a cabeça e dizia : menino malvado, matou os pobres bichinhos. Mas fazia a passarinhada com arroz. Depois, ja na adolescência,queria namorar, curtia amores lindos dos quais, na maioria das vezes ela não sabia.  Troquei a bolita e o bodoque por bicicleta  e a vida seguia. Na plana  Riachuelo, onde nasci e cresci, o calçamento de cascalho não impedia as corridas vertiginosas de fim de tarde. Uma vez, o Zé Babão, na minha bicicleta e num fim de tarde, no afã de bater o melhor tempo, levou por diante o Salvador, um negão de dois metros que seguia em paz, terno branco, rumo ao carnaval. Não deu prá avisar. O Babão levantou o negão e caiu, embolado com ele, naquela polvadeira de verão. O negão ficou marrom, o terno imprestável e o  Babão só se desculpava, dizendo que quebrara a clavica...Salvador era amigo de minha família e só por isso levou livre o Babão. Mas teve que voltar para tomar um banho, trocar de roupa e voltar aos folguedos de Momo. Ninguém tinha telefone, muito menos computador, televisão e I-Phone. Eramos felizes e não sabíamos...

terça-feira, 18 de julho de 2017

SOBRE RITOS E CERIMÔNIAS -DOIS PRECIOSOS COMENTÁRIOS

DA PSIQUIATRA E COMUNICADORA DRA. LAIS LEGG


Prezados, concordo com tudo que foi dito. O tal comportamento "galhofeiro"

também anda invadindo a minha profissão - a Medicina. Há poucos dias, vimos médicos sendo punidos por postarem fotos, num corredor de hospital, de jalecos e com as calças arriadas. Inúmeros outros postam "selfies" ao lado de pacientes e uma médica permitiu que seu filho, adolescente, ingressasse em sala de cirurgia, onde fotos foram tiradas com o menino todo paramentado e  empunhando bisturis.

O Conselho Regional de Medicina teve que proibir que os médicos publicassem "selfies" com os pacientes. A que ponto chegamos! É preciso que se normatize condutas que deveriam vir de berço. Os pilares hipocráticos foram jogados no lixo, me parece.

A humanidade se avacalhou, ser educado é careta. 

Laís
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DO DES. ELISEU GOMES TORRES
 
Bom dia, amigos. Creio mesmo que sou um ser  ante-diluviano Dizem que todos os homens, com o passar do tempo e o avançar da idade, tornam –se duros, calejados, mais refratários às emoções. Comigo acontece o contrário. Quanto mais velho fico, mais sensível, emotivo e , porque não dizê-lo ? Chorão.  Há pouco ouvi a marcha triunfal de Verdi, enviada pelo querido colega Nerio Letti. Parei tudo e, sem resistências, voltei àquela noite de dezembro de 1959, quando, ainda quase um menino, percorrj o corredor do austero auditório da PUC (na Praça São Sebastião|) e galguei os degraus que levavam ao palco. Foi, creio, o momento mais solene de minha vida, até então. Sonhos e ideais povoavam minha  cabeça, a ânsia de batalhar por meus clientes, de impor um nome e uma presença no meio jurídico, entendi que o momento era de reflexãp e compromisso. Há alguns an0s deixei de assistir formaturas.  Não há qualquer solenidade. Predomina a galhofa. Ora, direis : são jovens, descompromissados, alegres por vencer uma etapa tão importante. Logo, extravasam essa alegria aos gritos, cânticos e gestos.  Não é minha praia.  Prefiro a obediência aos rituais, a observância de certas regras que não podem ser abandonadas, sob pena de voltarmos ao non sense. E tudo, parece, ainda vai piorar.  Meu pai, não tolerava ver alguém, em local público, sentar a mesa com chapéu na cabeça. Pois hoje vejo parlamentares participando de sessão congressual, com chapéu como se estivessem ao relento. Prá mim, deu ! Um abraço do confrade Eliseu
 
 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

ESTOU SÓ REFLETINDO: SERÁ QUE CABEM GRACEJOS EM CERIMÔNIAS ?

Digo a vocês baseado em minha experiência. Assumi o cargo de juiz de direito aos 26 anos. E ouvi de um Desembargador que fora Juiz em minha terra natal o seguinte conselho
- Não bebas em público. Não brinques durante as audiências.
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Claro que as formaturas  de hoje são " happenings", alguns de mau gosto.
Mas para os avós, os pais, aquilo é de uma gravidade, de uma emoção, de valor que nem se pode aquilatar.
Quando alguém  recebe uma homenagem ou algo que o valha , por pouca repercussão que possa ter, para o contemplado aquilo é tudo na sua vida, aquilo é uma coroação! 
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Há pouco tempo fui a uma solenidade em P. Alegre. Não interessa onde.
Não gostei de observações  brincalhonas a cada passo. Claro que o público ria.
Aí me lembrei: muito riso, véspera de muito choro.
E será que os pais e avós ou os próprios homenageados gostaram?
Não é melhor manter as galas e as liturgias?
Penso que a  jocosidade prostitui a comenda e a homenagem.
Estarei em erro?
Em tempo: eu observei os conselhos do idoso desembargador. Acho que me dei bem.
Muito riso, pouco siso.

INTEGRANTE DE NOSSA CONFRARIA FESTEJA SEU DOUTORADO EM TÜBINGEN -ALEMANHA







 
A renomada Professora da UNISC, Lissi Bender, nossa amiga e integrante da confraria, está na Alemanha, onde recebeu, com todas as galas, o certificado do seu título de Doutora .
Consigne-se que na Alemanha os critérios e exigências são rígidos.
Nossos cumprimentos à nossa amiga!

domingo, 16 de julho de 2017

AS TRAQUINAGENS INFANTIS HOJE DESAPARECIDAS

Estava olhando para a praça de Xangri La, onde há uma pista de skate. Dois ou três adolescentes com seus malabarismos. Uma dezena ou mais, sentadinhos, curvos, teclando em seus celulares.
Um turbilhão de lembranças me vieram dos tempos infantis.
Subir em árvores.  Inimaginável  hoje . Na casa de meus pais, em Santa Cruz, havia um caquizeiro. Eu dava um salto até o primeiro galho e ia subindo até o topo. Ali ficava refugiado, pensando, pensando.
Acredito  hoje ser impensável uma mãe deixar seus filhos subir em árvores. Mas não tenho na memória nenhum caso de , no meu tempo, alguém ter caído.
"Roubar" bergamotas.
Minha casa ficava a duas quadras da catedral. E aí praticamente terminava a cidade.  Dali para diante moravam os colonos. Nosso prazer era fazer incursões pelas propriedades rurais e colher bergamotas nas árvores que ficavam perto da estrada. E laranjas umbigo.  Estas  descascávamos com nossos canivetes.  Não havia nenhum guri que não tivesse um canivete. O meu sempre ia comigo, até para a escola.
Isso sem falar na caçada às pombinhas rolas, que davam uma sopa daquelas.
E as peladas de futebol no meio da rua ( que não eram calçadas)? As goleiras eram duas pedras.
Tênis, chuteiras? isso não existia. Era  tudo de pés descalços. Caiu, se machucou? água e sal. Feito o curativo.
Doces recordações enquanto o dia vai nascendo...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O PRESTIGIOSO SITE MIGALHAS FAZ PONDERÁVEIS RAZÕES SOBRE A SENTENÇA DE MORO

Um aviso aos queridos leitores: não tenho partido, nem torço por este ou aquele. Critico o que acho errado, mas não enveneno meus textos por paixões ideológicas ou partidárias. Fui juiz uma vida inteira: gosto de ouvir os dois lados.
Eis o que publica Migalhas  hoje:

 

Companheiro

Moro condena Lula a nove anos e meio por corrupção e lavagem. O ex-presidente poderá recorrer em liberdade porque, segundo o juiz, a prisão cautelar de um ex-presidente da República envolve certos traumas, sendo prudente que se aguarde o julgamento na 2ª instância. (Clique aqui)

1.

Ao juiz é dado o poder de livre apreciação das provas. Dito isso, explica-se facilmente a longa sentença do juiz Moro condenando Lula a 9 anos de prisão. Mas o fato é que o direito não se resume nesse preceito aparentemente autoritário. É preciso que estas provas venham em ordem correta, isto é, acusação primeiro, defesa depois, e que sejam revestidas de legalidade.

2.

No caso do famoso processo do triplex, muitas questões pululam. As provas de acusação seriam, fundamentalmente, matérias jornalísticas corroboradas com depoimentos de delatores. E as de defesa não teriam sido suficientes para explicar o que disse a acusação.

3.

No conjunto probatório, o que fica transparecendo é que - sendo verdade o que diz a acusação -, houve precipitação da denúncia e estamos diante de um crime interrompido. E, sendo assim, a questão deveria ser tratada no campo do eventual arrependimento ter sido eficaz ou não. Não tratando a questão dessa forma, o magistrado viu-se obrigado a uma ginástica argumentativa, baseando-se em contradições da defesa.

4.

Ademais, há o fato de que Moro tentou afastar a importância do Direito Civil, mas não é possível falar em vantagem indevida sem discutir o ingresso ou não do bem no patrimônio do réu. De maneira que ou tem-se a propriedade ou a posse, ou a promessa de posse, como parece o caso.

5.

Enfim, a sentença é juridicamente questionável em vários pontos. Mas em alguns deles não é questionável. Ela é reprovável. Referimo-nos, por exemplo, ao ponto em que o magistrado critica Lula por não ter feito uma emenda constitucional para que pudesse haver prisão em segundo grau. Moro diz que Lula deveria ter agido para tentar reverter antes jurisprudência do STF nesse mesmo tema. Veja com seus próprios olhos:

795. Algumas medidas cruciais, porém, foram deixadas de lado, como a necessária alteração da exigência do trânsito em julgado da condenação criminal para início da execução da pena, algo fundamental para a efetividade da Justiça Criminal e que só proveio, mais recentemente, da alteração da jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal (no HC 126.292, julgado em 17/02/2016, e nas ADCs 43 e 44, julgadas em 05/10/2016). Isso poderia ter sido promovido pelo Governo Federal por emenda à Constituição ou ele poderia ter agido para tentar antes reverter a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

"Lula poderia ter agido para reverter jurisprudência do STF"? Valha-nos Deus. Mas o pior ponto é quando diz que resolveu não prender Lula porque a prisão cautelar de um ex-Presidente envolve certos traumas. Ora, seria o trauma uma excludente legal da preventiva, ou não estariam presentes os pressupostos para tal? Enfim, certamente é uma sentença que entra para a história, porque nunca antes na história desse país um ex-presidente foi condenado criminalmente.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A SENTENÇA DO JUIZ MORO E A CONDENAÇÃO DE LULA

Reproduzo apenas a parte final da sentença, para tecer algumas considerações.
A primeira delas é que a possível apelação será julgada pelo TRF da 4a. Região, sediada em P. Alegre.
O STJ e o STF só serão chamados a decidir sobre esse processo, caso os Recursos Especial e Extraordinário consigam subir. Ou, em caso dificílimo de acontecer, que uma dessas Cortes de Brasília conceda algum remédio heroico.
A sentença  deixou claro que o momento é delicado e que não seria  interessante mandar o Ex Presidente desde logo cumprir a pena.
Creio que andou bem o julgador, porquanto pode ser que a apelação seja provida.
Agora,  é aguardar.
Na atual situação, não tendo transitado
 em julgado a condenação, nada impede de Lula concorrer a cargo eletivo.
....................................................
Eis a parte dispositiva da sentença.
 
O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu ao

processo em liberdade. Há depoimentos de pelo menos duas pessoas no sentido de

que ele teria orientado a destruição de provas, de José Adelmário Pinheiro Filho

(itens 536-537) tomado neste processo, e ainda de Renato de Souza Duque. O

depoimento deste último foi tomado, porém, em outra ação penal, de nº 5054932-

88.2016.4.04.7000.

958. Como defesa na presente ação penal, tem ele, orientado por seus

advogados, adotado táticas bastante questionáveis, como de intimidação do ora

julgador, com a propositura de queixa-crime improcedente, e de intimidação de

outros agentes da lei, Procurador da República e Delegado, com a propositura de

ações de indenização por crimes contra a honra. Até mesmo promoveu ação de

indenização contra testemunha e que foi julgada improcedente, além de ação de

indenização contra jornalistas que revelaram fatos relevantes sobre o presente

caso, também julgada improcedente (tópico II.1 a II.4). Tem ainda proferido

declarações públicas no mínimo inadequadas sobre o processo, por exemplo

sugerindo que se assumir o poder irá prender os Procuradores da República ou

Delegados da Polícia Federal (05 de maio de 2017, "se eles não me prenderem

logo quem sabe um dia eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam,

conforme http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/se-eles-nao-me12/



07/2017 Evento 948 - SENT1

https://eproc.jfpr.jus.br/eprocV2/controlador.php?acao=acessar_documento_publico&doc=701499865861150550083652403176&evento=70… 218/218

5046512-94.2016.4.04.7000 700003590925 .V61 FCM© SFM

prenderem-logo-quem-sabe-eu-mando-prende-los-diz-lula/). Essas condutas



são inapropriadas e revelam tentativa de intimidação da Justiça, dos agentes da lei

e até da imprensa para que não cumpram o seu dever.

959. Aliando esse comportamento com os episódios de orientação a

terceiros para destruição de provas, até caberia cogitar a decretação da prisão

preventiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

960. Entrentanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-

Presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência

recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair

as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz

apresentar a sua apelação em liberdade.

961. Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este

julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um

ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são

os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece,

enfim, o ditado "não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de

você" (uma adaptação livre de "be you never so high the law is above you").

962. Transitada em julgado, lancem o nome dos condenados no rol

dos culpados. Procedam-se às anotações e comunicações de praxe (inclusive ao

TRE, para os fins do artigo 15, III, da Constituição Federal


terça-feira, 11 de julho de 2017

TEMOS UM PAÍS SÉRIO? por Tito Guarnieri


TITO GUARNIERE

NÃO É UM PAÍS SÉRIO

Não é bom ouvir quando dizem que o Brasil não é para ser levado a sério. Mas o conceito pouco lisonjeiro tem lá sua razão. Basta um olhar ligeiro sobre fatos recentes.

Um editorial da Folha de São Paulo defende que os acordos de leniência - acordos de perdão seria mais exato - com as empresas investigadas em operações como a Lava Jato, deveriam ser celebrados com a participação do Ministério Público, Tribunal de Contas, Comissão Geral de Investigações, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários. Vale dizer: os acordos deveriam ter uma base técnica e critérios comuns, de modo a evitar disparidades de tratamento entre uma e outra empresa.

A posição da Folha é sensata. Os acordos, naquela forma, seriam mais transparentes e menos sujeitos às injunções de partes restritas, acordos selados em gabinetes fechados, e onde vale apenas o critério de quem negocia, no caso o Ministério Público Federal.

A transparência deveria presidir também os acordos de delação. Do modo como são feitos hoje as cláusulas são negociadas em segredo pelo MPF, e só dadas a conhecer depois do entendimento das partes, quando, a rigor, nada mais há para ser reescrito. Os juízes, via de regra, simplesmente homologam o acordo.

Bem pior do que o julgamento do TSE, que tanta celeuma causou, foi a diferença abissal de tratamento entre os acordos de delação premiada da JBS e da Odebrecht. No caso da JBS, os Batistas - homens de negócios biliardários - fizeram o maior negócio de suas vidas. Nenhum deles foi retirado da cama de pijama, no raiar do dia, sob as luzes da tevê, algemado, conduzido de camburão ao xadrez. Para a JBS não teve japonesinho da Federal, tornozeleira, ou passaporte recolhido.

Os Batistas andam livres como gado no campo, dando entrevistas, comportando-se como celebridade das Organizações Globo (principalmente Joesley), cheios de moral, apontando o presidente Michel Temer (que só assumiu a presidência ano passado) como o número um de organização criminosa, e Aécio Neves como número dois.

E Lula? Bem, antes de responder não custa lembrar que o primeiro financiamento que a JBS emplacou no BNDES foi no ano de 2005. Dois anos depois, apresentava um faturamento de R$ 4 bilhões de reais. Em 2016, depois de 13 anos de governos petistas, a JBS faturava R$ 183 bilhões de reais. Lula, você perguntou? Segundo Joesley, só encontrou com ele um par de vezes. Mal o conhece.

Os Batistas andam por aí gozando das delícias do capital, do perdão que receberam de Janot e do ministro Édson Fachin e das nossas caras. E isso tudo é para passar o Brasil a limpo.

Os Odebrecht são delinquentes amadores perto dos Batista. O patriarca Emílio está em prisão domiciliar (com tornozeleira), e o filho Marcelo ainda está preso, sem data para sair. Ninguém dirá que os delitos da Odebrecht são maiores do que os da JBS. Marcelinho Odebrecht, detrás das grades, tem o direito de invocar o saudoso Stanislaw Ponte Preta: ou restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos.

E por detalhe, Aécio Neves, que ficou 13 anos na oposição, quase foi em cana antes de Lula. Dá para levar a sério?

MAIS UM POUCO DE CULTURA - COM EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


 

DO LADO DE CÁ

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Minha África do lado de cá:

Bahia – eu queria te entender.

Um Atlântico a nos separar (e agregar).

Ah, Bahia: não a estereotipada, de cartão postal,  e shoppings, de alguns turistas que só registram e não enxergam, dessacralizada  e mundana.

Queria entender os teus mistérios, os teus santos, o teu sincretismo, tuas lutas –

Bahia, também meu amor, o peixe, a pele, a moça morena no Mercado Modelo,

Castro Alves e sua praça– declamo alguns poemas ,  contemplando o mar ao fundo.

E lembro-me   de Gregório de Matos, Carlos Marighella, Anísio Teixeira,  Walter da Silveira, Glauber Rocha, Jorge Amado, João Ubaldo,  do mago “Seu” Claudionor(“perdi” seu sobrenome), grande oráculo – todos  encantados.

Queria “saber” o que mais fundo há no Pelourinho –, além da beleza, do casario, das pedras, das “subidas”, dos sofrimentos dos escravos, das revoltas populares.

(E os pés que hoje piso, guardam  gemidos –  e o homem atento poderá escutá-los.)

Ainda e sempre o mar, a Bahia de Todos os Santos – tantos sim.

A vista na Avenida Contorno, a Ponta do Humaitá, teus oráculos, o Samba de Roda, a Ladeira da Barra, a Igreja de Santo Antônio, os coqueirais, o Cemitério dos Ingleses – e assim caminho olhando teu casario colonial (do que restou), a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e de São Francisco.

O pôr do sol na Ilha de Itaparica, os últimos raios iluminando o mar, e  a noite cai – atabaques, tambores, não a Bahia estatutária – a terra da Fé, do sincretismo, da Colina Sagrada, e todos os rituais.

Aquela missa no Pelourinho, com ritos católicos e das religiões africanas, o Candomblé e a Consagração (somos todos assim, sincréticos, sempre à espera de algo que não vemos.)

( Lembro-me da Ilha do meu nascer, mítica,  da Bahia Sul, onde uma vez minha mãe me levou para assistir a uma regata, e eu tinha sete anos.)

Assim é: falando “Bahia” quando só escrevi sobre “Salvador”–, era assim que Amado dizia (“Cidade da Bahia”) e também da Ilha, a outra, que forjou o, meu barro.

E haverá cinza da matéria finita: poderia ser jogada  em algum mar, não importa se de lá ou de cá, ou ainda no Cerrado do meu coração – a primeira e a última capital deste país.

Cidadãos do mundo: assim somos, e poderia falar mais –, como esta prosa fosse uma roda de conversa.

Falar ainda? Do belo amor da maturidade, também baiano, assim seja, e posso dar – mesmo  com a escrita precária,  dizendo muito menos do que pretendia  (assim é a sina da escrita – sempre ficar aquém do que queremos)  –  os trâmites por findos .

É apenas uma prosa nos idos de março.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O PARECER DE ZVEITER PELA ADMISSAO DA AÇÃO PENAL. UMA PEQUENA EXPLICAÇÃO AOS OPERÁRIOS E PEÕES DE ESTÂNCIA, NÃO AOS DOUTORES, SOBRE A ACUSAÇÃO AO DR. TEMER

É o seguinte, amigo. Puxa um banco ,coloca mais uma lenha na lareira, ajeita teu mate e me escuta.
O Presidente foi flagrado em conversas com um notório aproveitador de vantagens mal explicadas. É claro que esse tal de dono de matadouros não poderia ter enricado assim no mais. Teve empréstimos e vantagens que até tu terias ficado cheio do dólar.
Bueno.
O Procurador da República que é o homem encarregado de  fiscalizar se não existem tramóias contra nosso dinheirinho, ficou cabreiro com essa gravação que tu ouviste. Vamos concordar que aí tem jacutinga , né?
E essa autoridade de Brasília, o Procurador, tinha o seguinte caminho: ou achar que isso tudo era uma palhaçada, uma mentira, uma arapuca; ou ver melhor se aí não tinha maracutaia.
Pois bem: desde os tempos de Jesus é assim que se procede: tendo indícios, rastros, de que algo foi feito errado, o Promotor, na dúvida que seja, faz a acusação. É o que os romanos chamavam de  " in dubio , pro societate" ( na dúvida,  em prol da sociedade). .
Tchê, me passa o mate!
Prosseguindo: já o juiz, se está em dúvida, na hora do julgamento, opta por " in dubio, pro reo" ( na dúvida, decide em favor do réu).
Bota mais um tição no fogo, seu Januário! Tá prestando atenção?
A lei brasileira diz que sendo o presidente acusado de um crime, os nossos deputados e senadores têm que decidir só o seguinte:  essa acusação é uma bobagem, saída do nada; uma briguinha de belezas, coisa sem fundamento, ou se essa acusação é acompanhada por sérios indícios de que , como de disse, que aí tem jacutinga?
Na dúvida é melhor  decidir por mandar seguir o processo, dando  direito de defesa ao Presidente, seguindo o livrinho das leis.
Se a maioria achar que tem que investigar, então sai o Presidente por um prazo, porque  não fica bem mesmo ele ficar de  chefão da tropa se ele está acusado de ter desviado umas quantas novilhas.
Pára de mexer na bomba,Januário, e me passa o mate.
Tu entendeu,  vivente?

SIMBORA DO BRASIL? COMENTÁRIOS DE TITO GUARNIERI E DR. ROGOWSKI

Caro Ruy :
Texto oportuno, revelador e realista. Faz tempo que nos tornamos um povo dado a chorumelas e lamentações, em que, basicamente, culpamos os outros dos males que nos afetam. O mal são os outros : os políticos, em primeiro lugar, os empresários, as "elites", o capitalismo, os Estados Unidos e o Trump, e por aí vai. Ninguém, rigorosamente ninguém, se acha rresponsábel, nem na mais distante medida, pela situação que atravessamos. " Os únicos culpados de nossos problemas devem ser procurados fora. Os poucos de dentro que são maus é porque são agentes de fora". ( Mia Couto).
Ou, como aduziu o filósofo dinamarquês Kierkengard : " O pior defeito do ser humano é a transferêncvia de responsabilidade".
Paulo Timm, põe os pingos no ii, e faz uma advertência: para chegar ao Eldorado não basta atravessar o Atlântico. Portugal é uma terra simpática mas lá, como em qualquer lugar,  para fazer a vida leva tempo e é difícil.
Essa a grande lição que nunca chegamos a aprender: a vida é difícil.  Nas palavras de Bill Gates, transcritas no texto, há mais ensinamentos para a vida, para o trabalho ( e em consequência para a cidadadia plena ) dos que em cursos inteiros de ciências sociais, que vivem no mundo amargo das lamentações, da busca de culpados, empenhados permanentemente em envenenar as relações sociais, em provar que o mundo gira em torno do conflito de classes e que só eles conhecem os rumos da história.
Abraço. Tito Guarniere




 

Amigo Ruy, excelente texto (abaixo) do confrade Paulo Timm!

Tenho dois filhos vivendo em Portugal, pela divina Graça para lá foram numa condição melhor do que a maioria dos demais imigrantes, têm bens no Brasil que geram renda que gastam no além-mar.

Mas a vida de imigrante nunca é uma maravilha, ao menos no início. Há inúmeras barreiras, a começar pela língua, cultura diferente, etc.

Em Portugal ao menos não há a barreira da língua para os brasileiros, mas por certo há diferenças culturais.

O que Portugal  e qualquer outro país quer,  é que o estrangeiro  injete na economia local recursos oriundos do país de origem.

 As universidades lusitanas se abriram para estrangeiros, especialmente porque as mensalidades dos cursos são pagas com recursos provenientes dos países de origem dos alunos, em que pese o governo português oferecer algumas bolsas de estudo.

Eles têm também a região autônoma da Madeira (na ilha da Madeira) onde facilitam bastante à abertura de empresas offshores, com tributação quase zero.

Vem crescendo em nosso escritorio a demanda por consultoria para empresários que querem deixar o Brasil. Uns querem levar seus negócios para outro país em busca de uma carga tributária menor, segurança jurídica, menos burocracia,  maior liberdade de empreender.

No Paraguai 70% das empresas estrangeiras lá estabelecidas são brasileiras que imigraram recentemente.

Deixo abaixo alguns links com conteúdo útil sobre o assunto, de minha autoria.

Abraço a todos.

domingo, 9 de julho de 2017

QUER FUGIR DO BRASIL? LEIA O ARTIGO ABAIXO


CARTAS DE PORTUGAL 2017

VAMOS COM CALMA. O BRASIL NÃO ESTÁ À BEIRA DA MORTE

Paulo Timm  - julho 03 2017

 

“O Brasil não cabe no precipício”

Delfim Neto’ 2017

“A classe média brasileira não cabe em Miami”

Leonel Brizola – 1980

 "Talvez lembremos destes dias como uma época em que o país esteve entregue a patetas e patéticos, e a revolta se dissolveu na melancolia".

L.F.Verissimo

*

Estou nestes meses em Portugal onde acompanho minha companheira em seus estudos. Há tempos faço isso e acabei me familiarizando com várias questões aqui da terrinha: as boas comidas regadas ao vinho bom e barato, o clima de tranquilidade do país, um dos mais pacíficos do mundo, as contorções da política local, que reflete as acomodações à União Europeia, os sabores e dissabores da vasta colônia brasileira que aqui reside etc. Algumas destas questões já passaram por momentos críticos. Houve uma época, logo depois da Revolução dos Cravos, de grande polarização ideológica, drenada pelo protagonismo centrista  do socialista Mário Soares, que culminou na celebração democrática que hoje permite a alternância de tendências sem maiores traumas. Há mais de um ano outro socialista, Antonio Costa, comanda o Governo, cujo Presidente é um conservador. Houve tempo, também, de grandes rusgas entre os brasileiros e os portugueses, primeiro em torno da  questão dos dentistas, que inundaram o mercado, depois, das biriguetes de programa, que escandalizaram a tradicional família lusitana. Mas hoje isso acalmou, embora sobreviva uma pitada de preconceito contra brasileiros, sobretudo negros, ao que nem sempre respondemos da melhor maneira. Coisas da vida. Nada alarmante. Choque de culturas. Um amigo me explica que os portugueses são mais brutos do que nós, mas nós somos mais violentos. Há casos de revides no sopapo. As ondas de imigrantes do Brasil, porém,  se sucedem sem atentar para esses pontos obscuros. Somos a maior colônia estrangeira em Portugal, em torno de 200 mil, metade dos quais já estabelecida definitivamente. Os flutuantes oscilam de acordo com a conjuntura. Dados oficiais do Governo português apontam para os seguintes números, enquanto analistas afirmam que já somos 4% da população de Lisboa.

                                         
Na crise dos 80-90 brasileiros vieram às pencas trabalhar em grandes obras e, com o mesmo ímpeto, retornaram ao Brasil na euforia lulo-petista dos anos 2000. Lisboa baixou em pouco tempo de 60 mil para 20 mil brasileiros.  Agora, diante da crise no Brasil começam a retornar mas encontram um país muito diferente. Portugal já completou o ciclo de equiparação aos padrões europeus, está recém saindo de um período de forte austeridade - comandado pelos conservadores - e já não se oferece como um campo fértil de emprego. De resto, agora chegam, também muitos estudantes, cativados pelo custo baixo dos cursos de pós graduação associados ao baixo custo de vida, sobretudo no interior, onde pululam diversas universidades de excelente nível, começando por Coimbra, mas também Porto – que dá 50% de desconto nas anuidades para brasileiros, Aveiros, Algarve  e Covilhã, onde resido

Só no Consulado Geral de Portugal em São Paulo, por exemplo, o volume de pedidos de visto de estudante nos primeiros cinco meses de 2017 foi 148% maior do que o mesmo período de 2016. Já as solicitações de vistos de residência para estudos de mais de um ano aumentaram 320%.

No consulado, os números acompanham um crescimento na solicitação de vistos em geral: de 54% em 2016, face ao ano anterior. Neste período, o crescimento para vistos de estudante foi de 60% — e este tipo de autorização corresponde a 69% de todas as solicitações de visto.

As universidades reconhecem que um pontapé importante para este movimento foi uma mudança na legislação portuguesa que permitiu a candidatura de estrangeiros à graduação, e em consequência, uma progressiva incorporação da nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para ingresso em seus cursos

Pedidos de visto de brasileiros para estudar em Portugal aumentam 148%



 

Detenho-me, aqui, nessa nova massa de imigrantes brasileiros que ora aportam em terras lusitanas em busca de oportunidades.

Noto que são, em grande maioria, muito jovens. Veem de várias partes do Brasil, estimulados por algumas reportagens animadoras e um pouco enganosas sobre Portugal

Profissões em falta em Portugal e seus salários médio :


 

  - e enfatuados com a crise no Brasil, sempre  com um discurso verdadeiramente catastrofista: “O Brasil acabou! Morre-se mais no Brasil em paz do que o mundo em guerra! Até um bebê tomou um balaço ainda na barriga da mãe” . Citam números: 14 milhões de desempregados, 100 mil mortos em homicídios e acidentes de carro. Parece que estão saindo da Síria, tamanho o horror com que se referem ao Brasil. Até têm um pouco de razão, mas não para tanto:



Muitos chegam de mão abanando, sem vistos adequados e sem qualquer noção do país em que estão chegando. Pensam aqui “fazer a América”, como se dizia dos que iam para Estados Unidos há pouco tempo. Aí descobrem a realidade: Mercado de trabalho restrito e salários muito baixos, com cargas horárias que chegam a 10h. O mínimo aqui são 557 Euros, em torno de R$ 2.000,00,  insuficiente para pagar uma boa moradia e viver em Lisboa. No interior até dá, mas muito apertado. Um trabalhador local ganha em torno de 1.000 euros enquanto grande parte dos profissionais de nível mais qualificado, salvo executivos, fica entre 2.000 e 2.500 euros. Vida europeia. Tudo calculado, medido, planejado. Ninguém compra a crédito. Cartão não parcela, aqui. Tudo à vista.  Duro! Uma especialista portuguesa Jessica Lopes vaticina:

 

"As nossas leis fazem dos imigrantes fantasmas sem direitos"



Diante disso frequento os inúmeros portais de apoio a brasileiros em Portugal – ou interessados em vir - respondendo à consultas e tentando ponderar este ímpeto de abandonar o Brasil. Gente com emprego estável procurando aventurar na terrinha…! Nem sempre sou bem aceito, pois imaginam que estou a serviço de alguma agência de desaconselhamento da emigração – rsrsrsrsrsrsr… Já falei sobre este assunto ao Senador Cristovam Buarque, no sentido de que sensibilize as autoridades do Itamaraty para melhor informarem os brasileiros que querem sair do Brasil. Informar não significa desestimular os sonhos de uma vida melhor. Mas  melhor instrumentalizá-los. Ou até adverti-los como fez Bill Gates, certa vez, quando convidado para uma palestra numa escola secundária na qual chegou apressado de helicóptero e leu estas 11 linhas, que lhe renderam 10 minutos de aplauso:


1. A vida não é fácil — acostume-se com isso.
2. O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.
3. Você não ganhará R$20.000 por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.
4. Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.
5. Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade.
6. Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.
7. Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.
8. Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA!!! Faça certo da primeira vez!
9. A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.
10. Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.
11. Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles.

Honestamente, acho que a crise no Brasil é realmente grave, mas, como já assisti a muitas delas, desde Vargas, aprendi que o Brasil é um transatlântico. Verga mas não soçobra e, quando menos se espera, se reorganiza e retoma  seu ritmo histórico. Ritmo e estrutura. Não há que se fazer ilusões. O Brasil é uma nação em difícil construção, democracia frágil,  marcado por profundas desigualdades e que encontra na violência uma válvula de escapes sociais. Não obstante, é um país que, apesar de tudo deu certo. Saímos de um fazendão escravocrata para uma das mais sofisticadas economias do mundo.  De resto, o país é imenso. Uma coisa é a crise na cidade do Rio, outra em Porto Alegre, outra em Teresina, cujo estado cresce a ritmo impressionante. Uma coisa são as regiões metropolitanas, outra o sertão miserável, outra o interior próspero do agro-business. Recente pesquisa evidencia as 100 melhores cidades para morar no Brasil, todas com mais de 250 mil habitantes, dentre as quais Petrolina, no Nordeste, Franca e S.José do Rio Preto em S.Paulo e diversas outras: http://casaclaudia.abril.com.br/urbanismo/estas-sao-as-melhores-cidades-do-brasil-para-morar/ . Em primeiro lugar nesta pesquisa está a cidade de Maringá, no Paraná. “No quesito regiões, a Sudeste é a que mais aparece na lista, com um total de 49 cidades – oito delas estão entre as dez melhores”, para não falar de inúmeras novas e prósperas cidades dos dois Mato Grosso. E Minas Gerais? Quantas cidades maravilhosas na Serra da Mantiqueira, para onde refluem tantos que fogem do ruído e da violência dos grandes centros? Eu, aliás, prefiro as pequenas cidades, como Pirenópolis  em Goiás, qualquer das cidades do litoral do Estado de Santa Catarina, ou ainda as cidades da serra no Rio Grande do Sul, tais como Nova Petrópolis ou Veranópolis. Moro, a propósito,  no Brasil, na foz do Rio Mampituba, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que é um verdadeiro paraíso. Poucas oportunidades, por certo, mas qualidade de vida excepcional, tal como, por exemplo,  outro lugar onde também morei por muitos anos, Olhos D´Agua, perto de Brasília,  e onde estive recentemente testemunhando a bela e tranquila vida dos que lá ainda estão. Enfim, há uma sinistrose tomando conta do Brasil, disseminada pela Mídia, que recobre o país inteiro e que deve ser combatida. O Brasil não está à beira da morte. Reinvente-se, pois, dentro do próprio país, antes de sair correndo para o exterior! Mas, se depois de avaliar tudo isso e se decidir à emigrar, vá lá. Será bem vindo!